“Era do cobre”. Porque pode a pandemia desencadear uma corrida ao metal vermelho?

A pandemia do novo coronavírus está a abrir caminho para a “era do cobre”, defende o diretor de energia, clima e recursos do Eurasia Group, citado pela ‘CNBC’, apontando para os efeitos da tendência dos governos em reduzirem os seus investimentos, o que levará ao aumento da procura pelo metal vermelho.

A procura em queda levou os preços do cobre a cair em março, bem no auge da pandemia. No entanto, o cobre de referência na London Metal Exchange foi negociado em cerca de 5.909 dólares por tonelada, esta terça-feira,  numa subida de de 0,5%. Um valor que já está próximo do pico dos últimos cinco meses de 5.928 dólares, atingido no início deste mês, segundo a ‘Reuters’.

Na sua leitura do mercado, Henning Gloystein, do Eurasia Group, salienta que as estimativas apontam para que a pandemia acelere as tendências de investimentos e digitalização ambiental apoiados pelos governos, o que “anuncia um próximo boom na procura por cobre”.

“Grandes programas de estímulo digital e verde, especialmente na Ásia e na Europa, criarão as condições para um boom na procura de cobre – veículos elétricos, redes 5G e geração de energia renovável, todos requerem grandes quantidades de metal vermelho”, reforçou Gloystein.

De acordo com a nota do Grupo Eurasia, os programas de energia limpa e digitalização deverão aumentar a procura média anual de crescimento de cobre em 2,5% nesta década, o que deverá levar o consumo até aos 30 milhões de toneladas até 2030.

As mudanças de política na Ásia e na Europa vão desempenhar um papel importante no aumento da procura, acrescentou Gloystein, frisando as mudanças no transporte que devem ser o “maior impulsionador do uso de cobre”. “O setor de veículos elétricos, atualmente, representa apenas 1% da procura de cobre. Até 2030, muitos analistas esperam que esse número atinja 10% ”, rematou.

Espera-se que a China invista centenas de milhões de dólares na digitalização da sua economia na próxima década, observou Gloystein, enquanto países de todo o mundo se comprometeram a grandes investimentos em infraestruturas verdes e veículos elétricos.

“O cobre será essencial para praticamente todas as indústrias que estão a ser agora promovidas”, sublinhou, acrescentando: “bem-vindo à era do cobre.”

Apesar da procura poder cair até 5% em 2020, devido à recessão causada pela pandemia, o especialista antevê que algumas medidas de estímulo fiscal em larga escala possam ajudar a levar a procura por este metal de volta aos níveis pré-crise já no próximo ano. Traders e as grandes mineiras estimam que o consumo recupere 4% em 2021.

Os analistas do Bank of America aumentaram a sua previsão sobre o preço para o metal no início deste mês, esperando que os preços subam 5,4% em 2020 para 5.621 dólares por tonelada. E mantiveram a projeção para 2021 inalterada em 6.250 dólares por tonelada.

Estas previsões, resumem-se a “pacotes de estímulo fiscal notáveis” e à expectativa de que haverá mais compras de matérias-primas à medida que os países levantem os bloqueios.

 

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