Epstein ponderou mudar-se para Portugal: isenção fiscal e lei dos sefarditas despertaram interesse

Uma troca de mensagens entre Jeffrey Epstein e a banqueira suíça Ariane de Rothschild revela que o agressor sexual americano ponderou mudar-se para Portugal ou para a Suíça

Revista de Imprensa

Uma troca de mensagens entre Jeffrey Epstein e a banqueira suíça Ariane de Rothschild revela que o agressor sexual americano ponderou mudar-se para Portugal ou para a Suíça, segundo noticiou esta sexta-feira o semanário ‘Expresso’.

A conversa, ocorrida em novembro de 2014, mostra Ariane de Rothschild a destacar as vantagens de Portugal, referindo “as praias, o sol, os fabulosos lugares históricos” e “a simpatia dos portugueses”. Epstein terá mostrado interesse, mas também reservas, escrevendo que residir em Portugal seria “um preço demasiado alto a pagar”, sem especificar o que queria dizer com essa expressão.



A banqueira contrapôs que o país oferecia “10 anos de isenção de impostos” para residentes fiscais estrangeiros, argumento que poderá ter pesado na reflexão do milionário.

Pesquisa sobre a Lei dos Sefarditas

De acordo com os ficheiros divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em junho de 2015 Epstein pesquisou sobre a chamada Lei dos Sefarditas, que permite a descendentes de judeus sefarditas com ligação histórica a Portugal adquirirem a nacionalidade portuguesa por naturalização.

Sendo filho de uma família judia, o interesse pelo diploma poderá indicar que considerou essa possibilidade. A revelação ganha relevância tendo em conta que Epstein tinha sido condenado em 2008 por um tribunal da Florida por aliciar uma menor para prostituição e por solicitar serviços de prostituição, cumprindo quase 13 meses de prisão.

Epstein viria a morrer em agosto de 2019, numa prisão em Nova Iorque, após ter sido detido por acusações federais de tráfico sexual de menores.

Ligações pessoais a Portugal

Os laços com Portugal não se limitam às conversas sobre eventual mudança de residência. Segundo o ‘Expresso’, Epstein mantinha uma relação próxima com o seu mordomo brasileiro, Valdson Vieira Cotrin, e com a mulher deste, a portuguesa Maria Gomes de Melo, natural de Trás-os-Montes, responsável pela limpeza e manutenção do seu apartamento em Paris.

Em declarações ao jornal britânico ‘The Telegraph’, citadas pelo ‘Expresso’, Maria Gomes de Melo afirmou que nunca presenciou comportamentos impróprios envolvendo menores durante cerca de 20 anos de trabalho, em Nova Iorque, na ilha privada de Epstein ou em Paris. O casal garantiu ainda que as jovens que visitavam o apartamento iam “fazer massagens e cortar as unhas”, negando qualquer outra prática.

Os ficheiros indicam que Epstein financiou viagens do casal e que algumas mulheres associadas ao seu círculo viajaram para Portugal em 2018. Pelo menos duas terão ficado hospedadas em hotéis de luxo em Lisboa, Porto e Ponta Delgada, nos Açores. Não há indicação de que Epstein estivesse presente em território português nessas datas.

Escalas nos Açores e nomes citados

O jato privado de Epstein, conhecido como “Lolita Express”, realizou escalas técnicas em Santa Maria, nos Açores, em 2002 e 2003. Entre os passageiros estavam figuras da política americana, como Bill Clinton. Um porta-voz do ex-presidente referiu tratar-se de viagens ligadas à Clinton Foundation.

O nome de Luís Amado surge mencionado nos ficheiros como potencial convidado de uma conferência internacional no Bahrain, em 2010, mas o ex-ministro português já desmentiu qualquer ligação a Epstein, classificando o caso como “ridículo” e garantindo nunca o ter conhecido.

Impacto internacional

Os chamados “ficheiros Epstein” mencionam ainda diplomatas, membros de famílias reais e políticos europeus. Uma referência nos documentos não implica responsabilidade criminal, mas em alguns casos teve consequências reputacionais.

Em vários países continuam a surgir investigações e polémicas relacionadas com contactos ou viagens associadas ao milionário. Nos Estados Unidos, porém, as consequências judiciais para terceiros têm sido limitadas.

De acordo com informações divulgadas, permanecem por tornar públicos milhões de documentos relacionados com o caso, o que poderá trazer novos desenvolvimentos nos próximos meses.

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