Epstein dizia em e-mails ter informação capaz de “derrubar Trump”

A divulgação de uma nova série de documentos ligados a Jeffrey Epstein voltou a colocar Donald Trump no centro da polémica. Entre os milhares de arquivos agora públicos, destacam-se emails em que Epstein alegadamente se gaba de poder «derrubar Trump», num contexto de investigação sobre os crimes sexuais e tráfico de menores cometidos pelo financeiro.

Pedro Gonçalves
Novembro 14, 2025
13:07

A divulgação de uma nova série de documentos ligados a Jeffrey Epstein voltou a colocar Donald Trump no centro da polémica. Entre os milhares de arquivos agora públicos, destacam-se emails em que Epstein alegadamente se gaba de poder «derrubar Trump», num contexto de investigação sobre os crimes sexuais e tráfico de menores cometidos pelo financeiro.

A questão voltará ao Congresso na próxima semana, quando a Câmara de Representantes votará sobre a exigência de desclassificação de todos os documentos relacionados com Epstein, uma medida que Trump tem resistido, criando tensão dentro do Partido Republicano.

Entre os documentos divulgados pelo Comité de Supervisão da Câmara, liderado pelos republicanos, estão emails em que Epstein comenta privadamente sobre Trump, então já presidente. Em comunicações de agosto e dezembro de 2018, Epstein referiu: «Sei o quão sujo é Donald» e acrescentou: «Sou eu quem pode ser capaz de derrubá-lo», deixando explícito que se via em posição de pressão sobre o atual presidente.

Estas mensagens surgem num contexto em que Epstein já se sentia encurralado pelas investigações em torno das suas atividades criminosas e dos abusos sexuais de menores.

Trump e Epstein: uma amizade antiga e polémica
Donald Trump negou repetidamente qualquer envolvimento ou conhecimento dos crimes de Epstein. Em julho de 2019 afirmou: «Não tinha nem ideia», acrescentando que não falava com Epstein há «muitos, muitos anos». No entanto, a amizade entre ambos remonta aos anos 1990 e início dos anos 2000.

Trump descreveu Epstein como «alguém com quem se passa muito bem» e afirmou que se dizia que Epstein «gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são jovens». Fotografias e vídeos da época mostram os dois rodeados de mulheres jovens.

A amizade terá terminado em meados dos anos 2000, alegadamente por disputas relacionadas com empregadas de Mar-a-Lago ou interesses imobiliários. Contudo, Epstein continuou a mencionar Trump nos seus emails, especialmente com a ascensão política de Trump a partir de 2015.

Emails adicionais sugerem conhecimento de Trump sobre abusos
Além de vangloriar-se do seu suposto poder, Epstein também indicava que Trump estava ciente das atividades do financeiro: «Trump sabia e veio a minha casa muitas vezes naquele período», escreveu em fevereiro de 2019, acrescentando: «Nunca recebeu uma massagem», numa referência às práticas abusivas com jovens que Epstein organizava.

Embora não existam provas de participação direta de Trump nos abusos, os documentos lançam dúvidas sobre a versão do presidente quanto ao seu conhecimento da situação.

Documentos indicam que Epstein via a sua relação com Trump como uma vantagem estratégica, especialmente quando sentia que os investigadores se aproximavam. Em dezembro de 2015, ofereceu a um fotógrafo do The New York Times uma fotografia de Trump «com raparigas de biquíni na minha cozinha», numa tentativa de criar pressão mediática. Outros contatos encorajavam-no a divulgar informações prejudiciais, mas Epstein limitou-se a insinuar, não concretizando as ações.

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