O inverno será complicado no que diz respeito à prevalência da gripe, alertam diversos especialistas. “Vamos entrar em Portugal no período de maior prevalência de gripe e é preciso deixar desde já um alerta, pois as noticias que estão a chegar do hemisfério Sul dizem que a gripe deste ano vai ser mais virulenta”, referiu, à ‘CNN Portugal’, Mário Espiga Macedo, especialista em Medicina Interna no Hospital Lusíadas Porto.
A Austrália viveu a pior temporada de gripe dos últimos cinco anos, com as infeções a atingir o pico mais cedo do que o normal e números mais altos de casos e hospitalizações. As ‘tendências’ do hemisfério sul ajudam a prever o que será a época da gripe no hemisfério norte. “Geralmente olhamos para a Austrália e para o hemisfério sul como um sinal do que podemos esperar”, explicou John Brownstein, epidemiologista do Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos, à televisão americana ‘ABC News’. “Obviamente, não há uma coincidência perfeita mas, na maioria das vezes, a gravidade da temporada de gripe na Austrália dá-nos uma ideia do que podemos esperar e ajuda-nos a prepararmo-nos.”
Em Portugal, a época de gripe começa em regra no fim de outubro/início de novembro e prolonga-se até fevereiro. “Ainda não há certezas”, apontou Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. “Há essa probabilidade e estamos preparados, como sempre estamos, mas é preciso esperar um pouco para sabermos. Neste momento, ainda não chegou o frio e ainda não temos casos de gripe registados.”
Este será o primeiro inverno sem máscaras depois da pandemia da Covid-19, depois de dois anos em que os casos confirmados de gripe A e B diminuíram drasticamente. “Tivemos, coletivamente, uma alteração na circulação dos vírus respiratórios”, apontou Bernardo Gomes, especialista em Saúde Pública. “Foram tomadas medidas de mitigação da Covid-19 que têm impacto sobre todos os outros vírus respiratórios de transmissão aérea. O vírus da gripe é muito mais fraco do que o da Covid-19, portanto pequenas medidas são suficientes para quebrarem a transmissão.”
“Este vai ser o primeiro inverno sem máscaras desde o início da pandemia”, sublinhou o especialista. “Se as medidas são relaxadas e voltamos a linhas de ar ao nível pré-pandémico, é normal que as transmissões de vírus respiratórios aumentem”, referiu, garantindo que a vacina é o método de prevenção mais indicado. “É normal, assim que volte o frio e a chuva, que as pessoas comecem a passar mais tempo em espaços interiores. Por isso, é também expectável que os casos da Covid-19 voltem a aumentar. Não vamos deixar de fazer o que temos de fazer no nosso dia a dia mas devemos ser responsáveis e manter as cautelas”, finalizou.



