Portugal precisa de criar uma comunidade semelhante à existente na Bay Area de São Francisco onde os empreendedores se cruzam diariamente, disse o presidente executivo (CEO) da Bright Pixel, João Günther Amaral.
“Eu acho que o potencial deste país é enorme e tem tido uma capacidade de atração de talento ímpar”, afirmou Amaral.
O CEO, descreveu o ambiente na Bay Area como uma comunidade onde os empreendedores se cruzam diariamente e tomam cafés ou partilham refeições.
“Uma pessoa vai a São Francisco e vai à Bay Area e há uma comunidade enorme de gente que se conhece e de gente que se cruza quando vai à natação, quando vai ao ginásio, quando vai ao café, quando toma o pequeno-almoço, quando deixa os filhos na escola”, disse João Günther Amaral, acrescentando que ali “encontra-se gente de todas as empresas, de todas as áreas e convivem no dia-a-dia uns com os outros”.
Portugal, para o responsável da Bright Pixel, ainda se encontra na fase de criar espaços para forçar estes encontros com pessoas de diferentes áreas de negócio, com o intuito de estimular o empreendedorismo.
“Nós ainda estamos na fase onde temos de criar as ‘startups’ de Portugal, as fábricas de unicórnios, os UPTEC’s (Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto), todas essas comunidades para que esta gente se encontre”, disse.
O CEO referiu, todavia, que Portugal agrega uma grande quantidade de empreendedores de todo o mundo, cujas suas empresas são controladas a partir de Portugal.
“Portugal neste momento tem cá dentro uma quantidade de ‘founders’ (fundadores), de fundadores de ‘startups’ a nível mundial, sejam americanos, sejam da América do Sul, sejam europeus, gente que se mudou para cá e que vive em Portugal e opera as suas equipas e as suas empresas a partir daqui”, disse.
“É impressionante a quantidade de gente que cá está”, acrescentou.
O presidente executivo afirmou ainda crer que a comunidade de investidores e fundadores de empresas de criptoativos em Portugal é uma das maiores do mundo.
“A comunidade de cripto em Lisboa (…) é a maior a nível mundial, ou das maiores a nível mundial”, revelou o CEO apesar de admitir não conhecer de perto esta realidade.
“Acho que há talento, as nossas universidades são excelentes e na minha perspetiva existe uma oportunidade muito grande em Portugal”, afirmou João Amaral.
“Há uma disrupção que está em curso neste momento”, disse o CEO, referindo-se ao impacto da inteligência artificial nos jovens recém-licenciados “à procura de primeiro emprego”, que considerou serem “o alvo mais afetado inicialmente pelas capacidades que hoje a inteligência artificial entrega”.
“São jovens altamente qualificados a ficarem em Portugal, a tornarem-se empreendedores e a criarem as suas empresas e tornando também Portugal num sítio que possa ser muito mais ativo na disrupção tecnológica que está a acontecer a nível mundial”, acrescentou.













