Entrevista: “O que verdadeiramente espoletou esta guerra foi o facto da Ucrânia ter escolhido a perspetiva Ocidental, a democracia como um regime”

Diana Soller afasta a ideia de que a guerra na Ucrânia alastre a outros países da Europa e se torne num conflito em larga escala. Considera que a União Europeia tem feito um “esforço notável” para tentar apoiar a Ucrânia “diplomaticamente e do ponto de vista financeiro”.

Fábio Nunes

Quase dois meses depois de ter começado, a invasão da Ucrânia por parte da Rússia entrou numa “nova fase”, como já disse o governo russo, e parece estar longe do fim. Em entrevista ao MultiNews, Diana Soller, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova, admite que os objetivos russos na Ucrânia podem ter mudado e podem passar agora por anexar parte do território do país vizinho.

Diana Soller não antecipa que a política expansionista de Vladimir Putin se repita brevemente noutros países, e analisa o poder e a influência que o presidente tem no sistema interno russo. Considera que a Rússia não está isolada internacionalmente, elogia o esforço que a União Europeia tem feito para tentar apoiar a Ucrânia e afirma que se esperava mais de Joe Biden e dos Estados Unidos.

Esta mudança da estratégia das forças russas que estão a concentrar os seus esforços no leste e no sul da Ucrânia pode ser encarada como uma desistência de conquistar toda a Ucrânia, optando por anexar partes do seu território, como fez no passado com a Crimeia?

Penso que é exatamente isso. Num primeiro momento, no início da guerra, a Rússia acreditou que era capaz de chegar a Kiev em poucos dias, de decapitar o regime, e como isso não foi possível os seus objetivos de guerra foram mudando à medida daquilo que a Rússia era capaz de fazer. O que se passa neste momento, esta concentração no Donbass, este cerco a Mariupol e a ligação que Mariupol praticamente tem com a Crimeia, fazem-nos acreditar que o objetivo principal da Rússia agora é conquistar todo o Donbass e criar uma ligação entre o Donbass e a Crimeia por via de Mariupol. Eventualmente, mais tarde, vão anexar esses territórios e amputar a Ucrânia de parte do seu território. Isto é aquilo que podemos imaginar que são os planos russos neste momento.

Esta mudança pode estar relacionada com o objetivo da Rússia de conseguir uma vitória na Ucrânia até ao dia 9 de maio?

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Não estou certa que o dia 9 de maio seja uma linha dura para Putin. Penso que preferivelmente seria, mas acho que o grande objetivo neste momento é efetivamente ter essa parte do território ucraniano tomado pela Rússia. Não estou certa que haja esse prazo, que seja esse o objetivo central, mas evidentemente que se houvesse algo no dia 9 de maio isso permitia-lhe cantar vitória de uma forma mais expressiva. Como se sabe no dia 9 de maio há sempre uma grande parada militar em Moscovo, e se essa parada pudesse ser coroada por uma vitória melhor. Mas não estou certa que Putin possa garantir que isso é uma possibilidade.

Nas próximas semanas, a Finlândia e a Suécia vão decidir se aderem à NATO. A Rússia já ameaçou instalar armas nucleares no Báltico se isso acontecer. Podemos assistir a um agravamento e à expansão do conflito na Europa? Acredita que essas ameaças vão concretizar-se?

Diria que não, até porque não é essa a ameaça que Putin faz. A ameaça de Putin é deslocar alguns meios para junto das fronteiras, nomeadamente com a Finlândia. Putin justifica esse movimento com questões defensivas. Acho que o ministro dos Negócios Estrangeiros finlandês respondeu muito bem a essa réplica, ao dizer que a Rússia tem de se reorganizar com a entrada da Finlândia e da Suécia na NATO. Portanto, não é de estranhar nem de criticar, digamos assim, que haja alguma deslocação de meios.

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Isso não quer dizer de todo que vai haver guerra na Europa. Aliás, acho que Putin, ao contrário do que muitas pessoas dizem, é um ator racional. A racionalidade de Putin, que é uma racionalidade que nos escapa ou que agora já compreendemos ligeiramente, tem um elemento de nacionalismo expansionista, tem um elemento de sentimento de pertença da Ucrânia como parte integrante da Rússia, tem uma narrativa que diz, erradamente, que o Ocidente atropelou a Rússia permanentemente com os seus alargamentos da NATO. Tem um elemento de ressentimento relativamente ao Ocidente, que também tem uma narrativa que diz que o Ocidente é uma sociedade degradada e que está permanentemente a infligir humilhações propositadas à Rússia e a impedir a Rússia de atingir o seu lugar de grandeza. E tem, finalmente, um elemento inventado de que a NATO quer integrar a Ucrânia nas suas fileiras. O que aconteceu foi que em 2008, o presidente George W. Bush referiu que queria integrar a Geórgia e a Ucrânia na NATO, o que foi vetado pela Alemanha, pela França e por outros países, e desde aí nunca mais se falou no assunto. Mas o que verdadeiramente espoletou esta guerra, do ponto de vista ideológico, foi o facto da Ucrânia ter escolhido a perspetiva Ocidental, a democracia como um regime. Esta é a racionalidade de Putin, as razões que justificam a guerra.

Não me parece que Putin vá arriscar a integridade da Rússia criando uma guerra com a Europa, que seria uma coisa completamente diferente da guerra com a Ucrânia. Uma coisa é tentar, e nem ter muito sucesso, integrar um estado vizinho com um exército que, aparentemente, era mal preparado no seu território. Outra coisa bem diferente é ter uma guerra com a NATO, com os 30 países da NATO, nos quais se incluem os Estados Unidos, que com certeza não deixariam passar em branco a provocação russa. Putin sabe disso muito bem e não me parece que ele esteja disposto a fazer uma coisa dessas, até porque seria o suicídio relativamente à sua posição internacional. Não me parece de todo que ele seja irracional e que, como tenho ouvido dizer várias vezes, se sinta encurralado e que num momento de desespero faça uma asneira. Pelo menos por enquanto não vejo indícios disso.

As consequências económicas desta guerra e o isolamento da Rússia, que poderá manter-se durante anos, podem pesar a nível interno para Vladimir Putin? Ou vai manter-se intocável enquanto controlar o Kremlin?

Não me parece que Putin esteja isolado internacionalmente. Acho que isso é uma visão atlântico-cêntrica do mundo. De facto a Europa e os Estados Unidos, e alguns aliados como o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, têm feito um esforço de isolamento de Putin. Mas eu não vejo a Rússia como um ator isolado. A Rússia tem recebido apoio da China, tem recebido apoio da Índia, tem recebido de forma indireta apoio do Brasil, da Indonésia, portanto não me parece de todo que haja um isolamento internacional da Rússia. O que me parece é que as sanções económicas impostas pelo Ocidente em determinada momento, pelo menos, vão ter algum efeito na sociedade russa.

O sistema interno russo é um sistema patrimonial, portanto a elite política, os oligarcas, a elite dos negócios, eles só existem enquanto Putin existir. Não me parece que quem tem poder na Rússia tenha interesse na saída de Putin do Kremlin, porque o sistema está montado para a durabilidade. O sistema político e económico, que estão intimamente ligados, estão dependentes de um único líder. E daí o culto da personalidade, que não está apenas relacionado com a forma como a população olha para o seu líder, isto também é uma característica russa, e com base em filósofos russos contemporâneos e dos anos 20, de que só há um líder para a Rússia e que esse líder e a Rússia fundem-se num só. A existência do país depende da existência do líder. Isto foi trazido para a Rússia com muita força a partir de 2013, quando Putin começa o seu terceiro mandato. Mas não é apenas isso. Não é só o fortíssimo apoio popular de que Putin goza ainda hoje, é também essa dependência que estes atores têm todos uns dos outros. Os media estão dependentes do Kremlin, os oligarcas estão dependentes do Kremlin, a elite política do Kremlin está dependente de Putin, e portanto não acho que isso mude, mesmo que haja um enfraquecimento económico da Rússia. Nem vejo acontecer rapidamente, se é que alguma vez acontecerá, uma revolta popular contra Putin. É difícil porque há uma repressão das pequenas bolsas de resistência anti-Putin e porque há no imaginário russo uma efetiva ligação muito especial entre o líder e a população, e Putin tem sabido aproveitar isso muito bem.

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Recorrendo à arma da comunicação, Volodymyr Zelensky tem sido uma espécie de herói improvável no decurso deste conflito. Era expectável esta emergência do presidente ucraniano?

Eu não fazia a mais pequena ideia. Zelensky tem mostrado duas ou três coisas que são absolutamente excecionais. Um espírito de liderança incrível, ganhou a simpatia do Ocidente como um último herói do mundo ocidental, da liberdade e da democracia, e da liberdade de escolha perante um autocrata que representa tudo menos isso, e que lhe fez guerra e ao qual está a saber resistir. E tem-se mostrado também um excelente diplomata, no sentido em que tem conseguido mobilizar e manter mobilizados com mais de 50 dias de guerra os líderes ocidentais para a sua causa.

Acho que Zelensky comete uma vez por outra erros por excesso. Acho que se desgasta muito e que é um bocadinho excessivo relativamente ao Ocidente. Se por um lado me parece que o Ocidente deve verdadeiramente apoiar a Ucrânia nesta guerra, e talvez até devesse fazer mais do que tem feito, ao mesmo tempo o Ocidente não tem obrigação de o fazer, ainda que haja uma dimensão ideológica desta guerra que é uma dimensão anti-ocidental e que nos faz sentir que se não travarmos a Rússia na Ucrânia será muito mais difícil travá-la. Mas acho que Zelensky com o tempo vai ter de aprender a controlar alguns excessos de linguagem relacionados com o facto do Ocidente não fazer mais do que faz. Aquela questão de não ter permitido que o presidente alemão fosse à Ucrânia, acho que ele não está propriamente em posição de fazer muitas exigências. E se isso pode ser muito importante para consumo interno não é aquilo que ele quer para consumo internacional e as simpatias por um líder em guerra são sempre muito grandes, mas podem-se desfazer.

Zelensky vai ter de se adaptar a esta segunda fase da guerra na qual vai entrar brevemente, se a guerra não acabar entretanto, onde vai haver um desgaste e uma fadiga de guerra no Ocidente e onde a guerra vai ter menos significado. Espero que ele consiga fazer essa mudança porque acho que é muito importante que o Ocidente continue a apoiar a Ucrânia, pois parece-me efetivamente que a fronteira da democracia vai ficar ali.

Como avalia a forma como a União Europeia tem gerido este conflito?

A União Europeia não é um órgão de soberania como um estado. Portanto, aquilo que a União Europeia pode fazer é relativamente pouco. Porque a União Europeia não tem exército, não tem armas próprias, não tem um conjunto de mecanismos que os estados têm, e que não permitem que faça algo de diferente. A União Europeia tem tido uma ação muito coerente diplomaticamente, e que acho que atingiu o seu auge no momento em que Ursula von der Leyen e Josep Borrell foram a Bucha. Penso que nesse momento houve um reconhecimento da parte da União Europeia, seguida por muitos dos estados, de que efetivamente a Rússia é um agressor que cometeu crimes de guerra e crimes contra os direitos humanos. É certo que tudo isso ainda tem de se provar, mas o testemunho disso torna a Rússia aos olhos europeus como responsável por esse tipo de crimes.

Diplomaticamente e do ponto de vista financeiro a União Europeia tem feito um esforço notável para tentar apoiar a Ucrânia. Agora temos de ver a Europa como aquilo que é. A Europa existe enquanto os estados quiserem que exista, e portanto os seus mandatos de política externa não são mandatos para um momento de guerra, não têm instrumentos para se posicionar de uma forma verdadeiramente decisiva num momento de guerra.

Há muito tempo que se discute a possibilidade de sanções que envolvam o petróleo e o gás russo, mas isso ainda não se concretizou. Alguma vez haverá consenso entre os 27, face à dependência que alguns Estados-membros têm dos bens energéticos russos?

Depende da dependência e da rapidez e eficácia com que estes estados conseguirão desligar-se dessa dependência. Acho que hoje em dia nenhum estado europeu quer ser dependente da Rússia do ponto de vista energético por razões que todos compreendemos, mas as dependências energéticas da maneira que a Europa é dependente da Rússia não se desfazem de um momento para o outro. E os estados são soberanos e por muito que queiram ajudar o estado ucraniano, a sua primeira obrigação é ajudar os seus cidadãos, assegurar o bem-estar e a provisão dos bens mais vitais e imediatos, e a energia é um desses bens.

Penso que não se pode exigir à Europa mais do que verdadeiramente tentar acabar o mais rapidamente possível com a dependência da Rússia. A Europa tem tido uma posição muito consciente, que é ‘Nós sancionamos, fazemos tudo o que pudermos, agora os nossos cidadãos têm de continuar a receber energia e a aquecerem-se no inverno, têm de ter luz no verão’. E não estamos a falar propriamente de um bem não essencial. Estamos a falar de um dos motores da nossa sociedade, portanto acho que tem de haver uma posição equilibrada da Europa e tem havido.

Acredita que a posição da China poderá mudar com o prolongamento da guerra na Ucrânia? Em termos geopolíticos Pequim tem muito em jogo.

A China tem todo o interesse em manter a Rússia como aliado, por uma razão muito simples: a Rússia e a China têm um objetivo comum a longo prazo, que é o fim dos Estados Unidos enquanto grande potência. Para a imagem chinesa no mundo esta guerra não é de todo positiva, até porque a China sempre pautou a sua narrativa criando uma diferença com o Ocidente, sendo que o Ocidente é expansionista, tem pouco respeito pela soberania dos estados. A China pelo contrário nunca invadiu estado nenhum, nem quer fazer uma coisa dessas. É um expansionista económico e pacífico, apesar de não usar o termo expansionista. Mas são duas formas bastante diferentes de exercer o poder internacionalmente e a China tem sido muito hábil a usar essa narrativa. Até porque me parece que era uma narrativa de certa forma justa nos anos 90 e 2000, em que os Estados Unidos tiveram um pico de expansionismo quando eram a única potência no sistema internacional. Mas é uma narrativa que já não faz sentido há muito tempo, e o próprio Joe Biden explica muito bem nos seus documentos estratégicos que a expansão é uma coisa que está completamente fora de questão e que mesmo as intervenções militares só devem acontecer em determinadas circunstâncias e configurando guerras cirúrgicas.

Essa narrativa já não cola nos Estados Unidos, mas interessa à China mantê-la. Até porque põe em alerta uma série de países autocráticos e que também não gostam dos Estados Unidos, e se sentem legitimados a fazer qualquer coisa contra os Estados Unidos perante esta narrativa.

Evidentemente que o expansionismo russo e a forma como a Rússia se tem portado ao longo destes dias de guerra são profundamente incómodos para a China, precisamente por estas razões que expliquei. Agora não me parece facto que a China a curto prazo se desligue da Rússia, não só porque é uma parceria sem limites que foi assinada no dia 4 de fevereiro – 20 dias antes da guerra – entre os dois países, como serve muito bem os interesses da China a sua aliança com a Rússia.

O recente endurecimento no discurso de Joe Biden relativamente a Putin pode ser explicado com a necessidade de mostrar serviço a nível interno? Afinal de contas, estamos em ano de eleições intercalares e a presidência de Biden não está a ser exatamente muito popular.

Eu acho que Joe Biden sempre teve dois discursos relativamente à questão da Rússia. Um discurso interno, que se viu por exemplo no discurso do Estado da União, que foi praticamente no início da guerra, e que é um discurso algo triunfalista relativamente à Rússia. Um discurso que é quase não correspondente à verdade. ‘Nós vamos vencer a Rússia, vamos conseguir que a Rússia não vá em frente nos seus intentos’. Essa retórica triunfalista existe praticamente desde o princípio mas é mais para consumo interno. O que acaba por acontecer é que esta guerra veio de alguma maneira pôr em questão o papel de Joe Biden como líder do mundo livre, porque Biden tinha as baterias todas viradas, e penso que ainda tem, para a China. De repente tem uma autocracia a fazer guerra a uma democracia e não tem capacidade para travar os intentos do autocrata.

Ao longo da guerra, principalmente a partir do momento em que começaram a ser conhecidos os eventuais crimes de guerra, Biden teve necessidade de começar a ter uma retórica mais forte, uma retórica internacional mais forte e menos triunfalista, no sentido de dizer que os Estados Unidos continuam a ser o líder do mundo livre e que abominam o que a Rússia está a fazer, e querem ter um papel empenhado em travar a Rússia. Ao mesmo tempo, esta retórica acaba por não ter uma relação muito forte com a prática, porque os Estados Unidos têm sido inexcedíveis no apoio militar, económico e diplomático à Ucrânia, mas ficamos sempre com a sensação de que um líder do mundo livre tem de fazer mais do que isso. E Biden não é capaz. Por um lado não é capaz porque se entrasse em guerra com a Rússia desguarnecia o flanco no Pacífico e ele não se pode dar ao luxo de fazer isso, por outro lado porque uma escalada do conflito poderia ter consequências muito graves. Portanto tem havido a prudência da Casa Branca de não deixar que nenhuma destas situações aconteça. Mas ao mesmo tempo sentimos que falta ali qualquer coisa.

Que balanço faz da presidência de Biden até ao momento?

Acho que a presidência de Biden até ao momento não tinha sido má, ao contrário do que tem sido dito. Acho que ele fez uma coisa muito bem feita logo ao princípio que foi criar as bases de uma ordem internacional liberal. Era uma ordem internacional liberal interessante e adequada ao século XXI, mas a realidade veio desmenti-lo e desmentiu-o de formas que não tínhamos a capacidade de prever. Não tínhamos capacidade de prever que uma potência autocrática invadisse um estado democrático numa guerra expansionista, não tínhamos a capacidade de ver antecipadamente que países como a Índia e o Brasil, numa situação extrema como esta, acabassem por decidir puxar pela sua relação com a Rússia em vez de isolarem-na diplomaticamente. E também houve dois problemas anteriores. O primeiro foi a retirada do Afeganistão, o que prejudicou os Estados Unidos do ponto de vista do prestígio internacional. O segundo foi a relação com os aliados europeus, que não correu tão bem como se gostaria ao princípio, apesar de grandes promessas, mas que é uma coisa que está relativamente sanada. A Rússia conseguiu juntar os estados europeus e atlânticos de uma forma que já não se via desde o fim da Guerra Fria.

Era uma presidência que eu diria que ia talvez no bom caminho, ainda que houvesse muita coisa ainda para perceber, mas que foi completamente interrompida pela guerra na Ucrânia e que estava à partida muito minada pela situação interna norte-americana. Não tenhamos ilusões de que isso também piorou desde que Biden se tornou presidente.

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