ENTREVISTA: Legado de Guterres vinculado à pandemia, clima e igualdade de género – Annalena Baerbock (C/VÍDEO E ÁUDIO)

 

Executive Digest com Lusa

*** Serviços áudio e vídeo disponíveis em www.lusa.pt ***


 


 *** Marta Moreira, da Agência Lusa ***


 


Nações Unidas, 19 abr 2026 (Lusa) — O secretário-geral da ONU, António Guterres, deixará um legado associado ao combate à pandemia e às alterações climáticas mas também ao revelo da igualdade de género, disse à Lusa a presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

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 Em entrevista à agência Lusa, em Nova Iorque, Annalena Baerbock refletiu sobre os 10 anos de Guterres na liderança da ONU, atribuindo o mérito ao ex-primeiro-ministro português pela campanha de vacinação global contra a covid-19, assim como por ter colocado a emergência climática no centro das atenções das Nações Unidas.


“Vimos nos últimos 10 anos que não só é extremamente importante defender a Carta [fundadora da ONU] e os três princípios — paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos –, mas também adaptarmo-nos aos novos desafios”, começou por dizer, quando questionada sobre o legado que Guterres deixará.


“A covid-19 foi um grande desafio para todo o mundo durante o mandato do secretário-geral Guterres. E a resposta dada no final, de que precisamos de vacinação em todo o mundo, o que só pode ser feito sob a égide da ONU, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) no centro, foi um dos grandes desafios, creio, e também um mérito de Guterres, que nos permitiu combater a covid-19 e esta pandemia em conjunto”, afirmou.

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Ao longo de 2020 e 2021, a ONU mobilizou um conjunto diversificado de recursos para compreender e combater a pandemia.


O esforço, liderado por António Guterres e pela OMS, enfatizou a necessidade de os países agirem em conjunto e delineou maneiras de travar a transmissão do vírus, salvaguardar a vida e os meios de subsistência das pessoas e aprender com a crise. 


Lançou igualmente uma estratégia para alcançar a vacinação global contra a covid-19 até meados de 2022.


Annalena Baerbock recordou que o líder das Nações Unidas, que se despede do cargo no final do ano, colocou igualmente as alterações climáticas e os riscos associados no centro do seu mandato, vinculando a crise climática aos pilares da paz e da segurança.


 Guterres teve na agenda climática uma das prioridades do seu mandato e, durante a última década pediu a adoção de medidas urgentes para garantir um futuro mais seguro para a humanidade e para o planeta, entre elas a redução drástica das emissões poluentes, proteção das pessoas e da natureza face às condições climáticas extremas, aumento do financiamento climático e repressão à indústria dos combustíveis fósseis.

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Além disso, Guterres “colocou as questões de género no centro do seu mandato, garantindo que temos, pelo menos em posições de liderança, não ao nível de secretário-geral, mas noutras posições de liderança, a ambição pela igualdade de representação”, observou ainda a ex-chefe da diplomacia alemã, frisando que essa é também uma marca do mandato do português.


Em janeiro de 2017, António Guterres assumiu o comando das Nações Unidas e prometeu “alcançar a paridade de género o mais breve possível” dentro da organização.


Um ano depois, cumpriu a sua promessa e fez história na ONU. Pela primeira vez, a alta direção da organização passou a ser composta por 50% de mulheres.


Após um primeiro mandato, António Guterres foi reconduzido no cargo por mais cinco anos, num segundo mandato que termina no final de 2026.


Os Estados-membros da ONU vão escolher este ano o sucessor de Guterres na chefia da organização multilateral, que, nos seus 80 anos de existência, nunca teve uma liderança feminina.


Embora alguns Estados-membros defendam claramente que uma mulher deverá ser finalmente escolhida para o cargo, essa ideia não é unânime.


Já Annalena Baerbock tornou-se em junho passado na quinta mulher a assumir a presidência da Assembleia-Geral da ONU, cargo que é renovado anualmente.


Questionada pela Lusa sobre o legado que ela própria quer deixar, a ex-ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha disse que o seu mandato se tem pautado pela defesa dos princípios da organização e por encorajar a Assembleia-Geral a seguir esse mesmo caminho todos os dias, “porque a Carta das Nações Unidas é o nosso seguro de vida”.


A reforma das Nações Unidas tem também estado no cerne do seu mandato de um ano, assim como tornar o trabalho da Assembleia-Geral mais eficiente.


A juntar a tudo isto, Annalena Baerbock tem também em mãos o processo de seleção do próximo secretário-geral da ONU, ambicionando que “seja um processo transparente e inclusivo, sem negociações à porta fechada”.


Nesse sentido, Baerbock organizou um diálogo interativo com os quatros candidatos ao cargo de secretário-geral da ONU, que arranca já na terça-feira.


 


 

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