Consolidação do setor das telecomunicações é incontornável, diz Miguel Almeida

O presidente executivo (CEO) da NOS mantém que a consolidação do setor das telecomunicações em Portugal é incontornável, só não sabe é quando, e que a incerteza sobre a renovação das licenças de espectro não é positiva.

Executive Digest com Lusa

O presidente executivo (CEO) da NOS mantém que a consolidação do setor das telecomunicações em Portugal é incontornável, só não sabe é quando, e que a incerteza sobre a renovação das licenças de espectro não é positiva.

Questionado sobre se a consolidação do setor vai acontecer, Miguel Almeida diz ter a “certeza que sim”, em entrevista à Lusa.

“Não sei quando. Portanto, a pergunta é como, não é se. Tenho a certeza de que será consolidado, isso é incontornável”, considera.

A propósito do efeito das intempéries e do debate sobre a resiliência das telecomunicações, Miguel Almeida sublinha que “é bastante irónico porque este país tomou uma decisão deliberada, intencional, consciente de prejudicar a inovação, prejudicar a qualidade, prejudicar a resiliência das redes, abdicar disso, em nome do preço baixo imediatamente”.

“Essa foi a decisão que foi tomada em 2020, 2021, de forma consciente, pelo governo, pelo ministro da tutela da altura e pelo regulador: decidiram seguir por um caminho que sabiam, aliás, sabiam porque eu próprio os informei várias vezes, publicamente e em privado”, prossegue.

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O CEO da NOS recorda que advertiu que era “um caminho que ia levar a menos investimento nas infraestruturas, a menos qualidade dos serviços, a menos resiliência dos serviços, não no imediato, não dois anos depois, não quatro anos depois, mas no longo prazo”.

Portanto, “acho absolutamente irónico que agora haja todo este histerismo, esta discussão à volta da resiliência, quando o país tomou uma decisão, seguiu por um caminho e agora estamos a questionar esse caminho e então volta-se atrás e, de facto, criam-se as condições para esse investimento, nomeadamente o da resiliência”.

E isso “significa, obviamente, menos operadores, porque é impossível ter um negócio sustentável em Portugal e em qualquer sítio do mundo”, insiste.

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Nos EUA, há três operadores e 350 milhões de habitantes, na China há três, em Inglaterra passam a três e em França vão passar a três, sintetiza o CEO da NOS.

“Estou a falar só dos países maiores da Europa, porque nos países mais pequenos já são três operadores e aqui em Portugal fizemos esta invenção”, lamenta.

“Todas as decisões têm consequências”, agora se “queremos retomar a discussão, eu acho muito bem que se retome”, afirma

As telecomunicações são “um setor de investimentos muito pesados”, aponta.

“Dois é pouco, quatro é demais”, remata.

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Para Miguel Almeida, “é isso que tem que acontecer”, sob pena “de o país começar a atrasar na transição digital, porque não há investimento”.

Aliás, “não há como investir no 6G nestas condições”.

Quanto ao facto de ainda não haver uma decisão sobre como vão ser renovadas as licenças em 2027, considera que “é mau para o negócio, é mau para a tranquilidade dos investidores, é mau para a tomada de decisão de investimento, que são investimentos muitas vezes críticos para a qualidade de serviço, para a resiliência”.

Portanto, “essa incerteza não é positiva”, sublinha.

“Claro que nós temos que trabalhar com hipóteses e a nossa hipótese é que vai ser renovado, mau seria se assim não fosse, mas não deixa de ser passível de crítica o facto de estarmos nesta altura de campeonato e a Anacom” ainda não ter decidido.

“Basta seguir aquilo que são as recomendações da Comissão Europeia e é uma decisão de 30 segundos”, sugere.

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