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*** Por Alexandra Luís (texto), Jorge Coutinho (vídeo) e Tiago Petinga (fotos) ***
(REPETIÇÃO) Lisboa, 29 mar 2026 (Lusa) – O presidente do 35.º congresso da APDC considera, em entrevista à Lusa, que o CEO da IA Anthropic esteve eticamente bem no processo com o Pentágono e que a integração da tecnologia na Defesa é incontornável.
O presidente executivo (CEO) da Anthropic, Dario Amodei, rejeitou a renegociação dos contratos governamentais com o Pentágono que previam o uso militar irrestrito da sua tecnologia, ou seja, sem supervisão.
“A supervisão é uma forma explícita de exercer a regulação”, sublinha António Gameiro Marques, que vai presidir ao congresso da APDC (Digital Business Congress), que se realiza em 06 e 07 de maio no Fórum Tecnológico de Lisboa (LISPOLIS), sob o mote “A Europa na Era Digital — O Equilíbrio entre Soberania, Segurança e Inovação”.
“Acho que, eticamente, o dono da Anthropic está bem”, salienta o antigo diretor-geral do Gabinete Nacional de Segurança (GNS), referindo que o agente IA Claude ainda é usado e “vai ter um impacto muito significativo no financiamento da Anthropic”.
No caso da Anthropic, o que está em causa é a recusa de que o seu modelo Claude seja usado em sistemas de armas sem supervisão (autónomos) ou para realizar vigilância em massa de cidadãos norte-americanos.
“Já não há espaços vazios”, porque a OpenAI “veio a ocupar esse espaço”, prossegue. Agora, “a consciencialização de todos os utilizadores mundiais do OpenAI, que é o que está subjacente ao famoso ChatGPT, o que é que vão fazer”, questiona.
“Será que as pessoas, por causa disso, vão deixar de usar o ChatGPT? Se calhar não”, aponta.
Instado a comentar o facto de a Anthropic ter sido classificada como fornecedora de alto risco, colocando-a ao nível da chinesa Huawei, Gameiro Marques classifica de “ridículo”.
Essa classificação “decorre de uma cultura, de uma postura, que vemos agora naquela Administração [de Donald Trump], que é: se não estás comigo, estás contra mim, portanto, ‘castaway’ [rejeitado]” e “isso tem-se visto não só naquela área, como também noutras”.
Portanto, “acho que ele [Amodei] reagiu de acordo com a sua consciência ética e se calhar vai-lhe custar muito caro. Ou não, se calhar não lhe vai custar assim tão caro, porque o mundo é feito de pessoas que alinham com uns e que alinham com outros”, refere.
A Anthropic estava já há alguns anos a trabalhar com o Pentágono, pelo que “há um conhecimento adquirido que não sei se não lhe dará uma vantagem muito grande em relação à outra que não esteve assim tanto tempo”, reflete.
Aliás, do que tem lido sobre a matéria, António Gameiro Marques refere que “há fraturas de natureza ética nas grandes empresas de IA, há dissidentes que saem por colidirem, em termos éticos, com a utilização que uma determinada entidade dentro dessa organização quer fazer do produto de IA que ele produz em relação àquilo que eles consideram que é plausível ou é aceitável”.
O antigo diretor-geral do GNS admite que a integração da IA na Defesa “é incontornável”, quando questionado sobre isso.
“Ainda por cima, endereça um outro problema que a Defesa tem”, que “é a falta de pessoas. A Defesa, as forças armadas no nosso país e noutros não são atrativas”, sublinha o responsável, que tem um vasto percurso nas áreas de segurança, cibersegurança e proteção de infraestruturas críticas.
“Portanto, se conseguirmos fazer mais coisas com menos pessoas comprimindo o tempo (…), não resolvemos, mas é um contributo para esse facto”, admite.
Agora, “é preciso é que a defesa protagonize uma transformação nesse campo e não sei se o está a fazer”, remata.
Relativamente à Agenda Nacional de Inteligência Artificial (ANIA), Gameiro Marques considera ter medidas bastante interessantes e que são importantes para Portugal avançar nesse sentido.












