A EDP tornou-se num operador de elevada reputação técnica no sector das energias renováveis, o que lhe permite desenvolver uma carteira de projectos atractivos para investidores institucionais
As alterações climáticas e a descarbonização dominam a agenda das políticas energéticas à escala mundial. «Considerando a produção hídrica, a EDP é hoje a segunda empresa com maior percentagem de produção de energia “limpa” na Europa», refere Luís Amado, presidente do Conselho Geral e de Supervisão (CGS) da EDP desde Abril de 2018.
O ex-ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros comenta a necessidade de atrair investimento para Portugal, as alterações no quadro regulatório e legislativo do sector, o recente lançamento da OPA pela CTG e a renovação accionista.
Em que medida Portugal, e a EDP, se mantém atractiva ao investimento?
Portugal precisa de facto de atrair mais investimento directo estrangeiro que permita colmatar a falta de capital comque o país estruturalmente se confronta. Para atingir níveis de crescimento que permitam satisfazer os encargos da dívida, precisamos de mais investimento externo e para isso necessitamos de um quadro jurídico, fiscal e regulatório mais atractivo. Apesar das condições de estabilidade governativa e política terem contribuído para a melhoria da imagem do País no exterior, num tempo em que a instabilidade e a incerteza caracterizam a conjuntura europeia e mundial, ainda assim subsistem custos de contexto e factores que continuam a pesar negativamente nas decisões dos investidores internacionais.
No caso da EDP esta realidade tem tido os seus efeitos, tendo em consideração as alterações no quadro regulatório e legislativo do sector que têm afectado particularmente a EDP. Ainda assim, a atracção dos investidores internacionais pela EDP é grande se tivermos em consideração o peso do investimento externo na estrutura de capital do grupo, o recente lançamento da Oferta Pública de Aquisição pela CTG e a significativa renovação accionista no último ano.
Referiu durante uma comissão parlamentar que «a pressão externa para a reestruturação e para a mudança é muito grande». A que tipo de pressões está sujeita a EDP e o que está a fazer para as contornar?
Referia-me à pressão decorrente das alterações-regulatórias por um lado e sobretudo da pressão sobre o sector decorrente da “transição energética”, muito mais rápida e disruptiva do que se podia imaginar há alguns anos, com grande incidência nos modelos de negócio em vigor. Trata-se de mudanças estruturais que exigem um esforço grande de adaptação e decisão, desafio a que a EDP procura responder apesar dos constrangimentos. A recente aprovação do plano estratégico até 2022 e a consequente reorganização do grupo, orientam-se nesse sentido.
Afirmou também que a EDP poderá reduzir a sua dimensão em Portugal. Porquê e em que áreas de negócio?
No referido plano estratégico a EDP compromete-se a continuar com a optimização da sua carteira de activos, através da rotação de activos juntamente com alienações tácticas de activos, para equilibrar o perfil de risco, estando prevista a alienação de activos em mercado e activos térmicos, principalmente em Portugal e Espanha.
O plano estratégico do grupo prevê a venda de participações maioritárias em projectos de renováveis. Tendo em conta que a empresa é uma referência na transição energética, os accionistas estão confortáveis com este plano?
O plano estratégico teve o apoio unânime dos accionistas de referência representados no Conselho Geral de Supervisão. Portanto é porque estão confortáveis com esta opção de crescimento. A EDP tornou- -se um operador de elevada reputação técnica no sector das energias renováveis o que lhe permite desenvolver uma carteira de projectos, muito atractivos para investidores institucionais com grande disponibilidade de capital, ficando ainda assim com participações relevantes nesses activos e com a responsabilidade de gestão dos mesmos. Trata-se de uma tendência que ganha crescente relevância e que antecipa implicações estruturais da transição energética e do seu impacto nos respectivos modelos de negócio.
Com uma empresa pulverizada em termos accionistas, como se mantém a coesão?
Há um núcleo accionista de referência que tem garantido a estabilidade do Grupo com a aprovação e execução dos respectivos planos estratégicos nos últimos anos, depois das últimas fases da privatização. Em parte, esse núcleo mantém- -se, designadamente os accionistas com assento no CGS, que representam quase 40% do capital. A coesão depende muito do trabalho e da capacidade da gestão e dos órgãos sociais em corresponderem às expectativas dos accionistas e garantirem o relativo alinhamento dos interesses dos diferentes stakeholders do grupo. Apesar de tudo, até agora, com mais ou menos dificuldade isso tem sido possível.
Em termos de estabilidade na gestão, qual a importância de manter a limitação dos direitos de voto a 25% do capital?
Como se viu na última assembleia geral, os accionistas continuam a acreditar que essa limitação estatutária continua a ser importante para a estabilidade do grupo, tendo em conta a natureza da estrutura dos interesses em presença.
Ainda neste âmbito, qual a importância de ter um parceiro como a CTG?
A EDP precisará sempre de ter um accionista industrial de referência. A CTG é uma das maiores empresas do sector e tem sido um parceiro fundamental para a estabilidade e crescimento da EDP e para a sua continuidade como marca reconhecida no domínio das energias renováveis. No último ano, tratando-se de uma empresa estatal chinesa, sentiu as limitações decorrentes de uma rápida mudança do contexto geopolítico que se reflectiu na sua presença na EDP. Mas a sua robustez económica e financeira e o seu peso na estrutura de capital do Grupo continuam a ser factores determinantes para a sua estabilidade e desenvolvimento.
Que vantagens tem hoje a EDP face às concorrentes estrangeiras?
A principal vantagem decorre de ter antecipado a importância da produção de energia renovável para o futuro do sector. A EDP é hoje, por isso mesmo, uma marca internacional no sector da “energia verde” numa clara posição de liderança. Considerando a produção hídrica, a EDP é hoje a segunda empresa com maior percentagem de produção de energia “limpa” na Europa.






