Entre os dias de pandemia fez-se luz. Europeus “prontos para mudar a sociedade”, aponta estudo

O desejo de um novo começo foi particularmente manifesto no que diz respeito a questões sobre o meio ambiente.

Sónia Bexiga

A crise do coronavírus tornou muitos cidadãos europeus mais conscientes da situação dos outros e está a fazer com que queiram mudar a sociedade, segundo uma nova pesquisa da Organização Não Governamental ‘More in Common’, citada pelo ‘Politico’.

A pesquisa, realizada em seis países europeus – França, Alemanha, Itália, Holanda, Polónia e Reino Unido – entre 19 de junho e 8 de julho, indica que a maioria dos participantes dos seis países afirma que a pandemia da Covid-19 os tornou “mais conscientes das condições de vida de outras pessoas” no seu país, em percentagens que variam entre os de 56% na Polónia e em França até aos 73% em Itália.

Destaque ainda para os cerca de três quartos dos entrevistados que defendem que “não importa de onde viemos, como seres humanos somos fundamentalmente iguais”, sendo que também se evidencia o amplo consenso, entre os seis países, de que “a vida não pode continuar como estava antes do ataque do novo coronavírus”.

“Muitas pessoas querem usar a crise da Covid-19 como uma desculpa para mudar o sistema”, disse Mathieu Lefèvre, CEO da ‘More in Common’.

O desejo de um novo começo foi particularmente manifesto no que diz respeito a questões sobre o meio ambiente. Um novo acordo verde “que faz investimentos governamentais em larga escala para tornar a nossa economia mais ecológica”, por exemplo, ressoou positivamente com 59% dos entrevistados alemães, 71% na Polónia e 77% na Itália.

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Ao mesmo tempo, a necessidade de fortalecer as economias também pode levar a menos vigor ambiental, num cenáriuo que alguns temem. Cerca de metade dos entrevistados franceses e alemães disseram estar preocupados com o facto de “o compromisso de proteger o meio ambiente desacelerar ou parar”, numa preocupação compartilhada por 75% dos italianos.

Lefèvre sublinha ainda que a Itália é um bom exemplo de como a crise fomentou o apetite por mudanças. “Os italianos pontuam mais quando se trata de exigir condicionalidade para as empresas que recebem ajuda pública quando comparadas à Alemanha, França, Polónia e Holanda”, reforçou, acrescentando que 91% dos italianos apoia “pedir às empresas que parem de usar paraísos fiscais e paguem os seus impostos em casa”.

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