Um antigo funcionário do British Museum roubou, ao longo de vários anos, mais de 300 obras de arte da instituição e vendeu-as no mercado de antiguidades, revela um novo livro citado pelo ‘The Independent’. O caso, que remonta ao início da década de 1970 e só foi travado em 1992, expõe uma das mais prolongadas séries de furtos internos na história recente do museu londrino.
Nigel Peverett trabalhou no Departamento de Gravuras e Desenhos do museu e, mesmo após deixar funções, manteve-se como visitante frequente. Em abril de 1992, foi apanhado em flagrante a sair do edifício com 35 gravuras avaliadas em cerca de 5.000 libras (aproximadamente 5.850 euros).
A investigação policial levou à descoberta de mais 169 gravuras na sua casa de campo em Kent, avaliadas em cerca de 27.000 libras (cerca de 31.600 euros). Posteriormente, Peverett admitiu ter roubado outras 150 peças que já tinham sido vendidas, elevando o total para mais de 300 obras furtadas ao longo de vários anos.
Segundo o livro ‘The African Kingdom of Gold’, do jornalista Barnaby Phillips, o ex-funcionário entrava no museu com um saco e saía com várias gravuras. Para dificultar a identificação, raspava os números de catálogo com uma lâmina ou cortava as margens das peças antes de as vender através de um negociante com banca no mercado de Portobello Road, em Londres.
Em novembro de 1992, o museu tinha conseguido recuperar 55 gravuras. No entanto, muitas das obras foram vendidas a compradores desconhecidos e acredita-se que pelo menos 95 continuem desaparecidas.
Peverett foi processado na altura, sofreu um colapso nervoso e tentou o suicídio. Passou seis semanas internado num hospital psiquiátrico e recebeu uma pena suspensa. Morreu em 2023. De acordo com o livro, a família descreveu-o como “charmoso, mas irresponsável”, com dificuldades financeiras crónicas. Alegadamente, manteve a pensão do museu.
Num comunicado enviado ao ‘The Independent’, o British Museum sublinhou que os factos ocorreram há décadas e que o responsável foi detido e julgado na época. A instituição reconhece que o risco de furtos é uma realidade para museus de todo o mundo e afirma ter reforçado medidas de segurança, além de se comprometer, em 2023, com a digitalização integral do seu acervo num prazo de cinco anos.








