Entrar num restaurante e decidir tudo no seu telemóvel? Sim, ‘Pleez’

No mundo dos negócios, uma das incontornáveis máximas diz que os tempos de crise serão sempre tempos de oportunidade para alguns. Quando a pandemia da covid-19 irrompeu pelo mundo, a Pleez já tinha uns meses de trabalho no terreno e punha em prática um plano de negócio com um futuro risonho.

A fórmula do sucesso estava encontrada: uma solução, para um problema real, capaz de efetivamente ser um valor acrescentado para as empresas do canal HORECA (hotéis, restaurantes e cafés). Acreditando no poder da revolução digital em curso, a Pleez criou uma solução tecnológica que permite viver todos os passos num restaurante, desde o pedido ao pagamento, usando apenas um telemóvel.

Quis o destino, que a pandemia viesse aguçar a necessidade de poder contar com esta ferramenta de trabalho. Agora, o caminho é só um – ajustar a oferta às necessidades e à realidade do tecido empresarial que luta para ultrapassar a crise.

Vasco Sampaio, Sócio e Head of Operations da Pleez, em entrevista à Executive Digest, explica porque podem os empreendedores fazer a diferença em ‘tempos de guerra’, recorrendo à inovação e criatividade para responder às novas necessidades do mercado.

Como nasceu a Pleez?

A Pleez é uma startup 100% portuguesa que surgiu em dezembro de 2019 com o objetivo de digitalizar a experiência do cliente e facilitar a gestão de equipas no canal HORECA. É uma empresa jovem mas que tem uma missão muito séria, uma vez que nasceu para resolver um problema real que os fundadores sentiam cada vez que iam a um restaurante. Ou seja, a necessidade de existir uma melhor gestão do serviço e das equipas nos restaurantes para diminuir o tempo de espera. O foco da Pleez foi sempre a resolução de um problema real para tornar os restaurantes mais eficientes.

Depois de identificado o problema e de se ter percebido que esta era uma necessidade real, foi feito um forte research onde foram identificados alguns modelos internacionais. No entanto, e apesar desse research, o sistema Pleez foi construído após múltiplas reuniões com pessoas experientes e presentes na indústria e que ajudaram a moldar o produto. Neste momento, o foco é o canal HORECA mas no futuro próximo pretendemos dar resposta também às necessidades dos bares e discotecas.

Em que consiste a vossa solução?

A ideia surgiu da necessidade sentida pelos seus fundadores cada vez que iam a um restaurante. A ideia inicial previa a colocação de tablets nas mesas dos restaurantes de modo a que cada pessoa pudesse fazer a gestão do seu pedido, sem ter que chamar o funcionário cada vez que queriam algo extra. No entanto, enquanto estávamos a desenvolver esta solução inicial, tudo mudou e foi necessário reajustar o produto, adaptando-o às novas necessidades do mercado. Ou seja, foi necessário criar um produto que permitisse um maior distanciamento social, e que desse mais confiança e segurança aos clientes na reabertura do setor. Foi assim que surgiu a opção de cada cliente usar o seu próprio dispositivo móvel para efetuar estas operações.

Estamos certos que o futuro do setor passa pela digitalização do mesmo, e esta situação veio antecipar a necessidade e demonstrar a viabilidade de soluções como a Pleez. O uso de sistemas integrados permite ainda uma maior rotatividade das mesas, logo mais receitas.

Na prática, neste momento, o sistema integrado Pleez funciona da seguinte forma: do ponto de vista do consumidor, ele entra no restaurante, acede ao Website Pleez.pt e está automaticamente dentro do restaurante. Coloca o código de mesa e a partir daí poderá fazer todos os seus pedidos e o pagamento através do seu smartphone.

Do ponto de vista do restaurante, a solução inclui um tablet central onde a equipa recebe todos os pedidos. No caso de aderirem à opção gestão de equipa, os pedidos serão ainda automaticamente alocados aos membros da equipa do restaurante. Quando o pedido está pronto, a cozinha só tem de notificar o empregado carregando num botão. É mesmo um processo muito rápido.

Que mais-valias vem acrescentar a vossa oferta ao mercado nacional?

Apesar do projeto e do produto terem surgido antes da COVID 19, este veio revelar-se a resposta que o mercado precisava nesta fase de reabertura, em que a segurança, a higiene e o distanciamento social são fundamentais. Na sua essência, a solução digital Pleez confere controlo ao cliente para consultar o menu e realizar pedidos sempre que este quiser, sem ter de chamar o empregado de mesa, bem como efetuar o pagamento sem qualquer contacto com os materiais físicos do restaurante.

Este é um processo simples, mas que permite um serviço mais rápido e que contribui para uma maior segurança e confiança no espaço, já que promove o distanciamento social, evita a partilha de ementas e a troca de dinheiro ou manuseamento de TPAs.

Como sabemos que vivemos uma situação atípica, queremos ser o parceiro que os restaurantes precisam para voltar a abrir as portas e a conquistar a confiança dos clientes, por isso, o contrato com a Pleez não requer qualquer investimento inicial e os proprietários dos restaurantes podem escolher entre duas soluções: adquirir apenas o menu digital + QRCodes gratuitamente; ou uma solução integrada: menu, pedidos e pagamento digital por 16.5 euros por mês com oferta do tablet central.

De que forma veio afetar ou potenciar a pandemia os vossos planos e a solução especificamente?

Esta situação revelou-se tanto uma oportunidade como uma ameaça, uma vez que o mercado está mais disponível para soluções como esta, mas também está mais frágil. Esta situação veio alterar significativamente a nossa oferta, mas a mudança faz parte do ADN da Pleez e a flexibilidade com que nos ajustamos às novas necessidades é o que nos distingue das grandes empresas.

Até há três meses a Pleez estava focada em soluções de mesa, mas quando percebemos os efeitos da COVID, pegamos na nossa base e adaptamo-la totalmente às novas exigências dos restaurantes. Ou seja, em vez de existirem tablets nas mesas, os clientes passam a usar os seus dispositivos móveis. Além desta opção mais completa, criámos mais recentemente outra opção, gratuita, que consiste na criação de menus digitais e QR Codes, que a Pleez oferece aos restaurantes, de modo a ajudar neste reinício de atividade. Esta alteração atrasou a entrada no mercado, mas foi uma oportunidade para adaptarmos a nossa solução, melhorarmos o software e recolher feedback adicional. No dia 18 de maio, quando reabriram os restaurantes, estávamos 100% operacionais.

Enquanto startup, na condição de empreendedor, como vê o futuro da empresa, a curto e médio prazo, atendendo à crise em que o país mergulhou?

Somos otimistas e acreditamos que todas as crises geram oportunidades. No nosso caso, uma vez que estávamos prestes a arrancar quando tivemos que recuar, permitiu-nos melhorar e complementar a nossa oferta. Temos a vantagem de oferecer um serviço que vem responder a uma necessidade do mercado, e cabe-nos agora conseguir ajustar a nossa oferta ao que os clientes precisam e podem pagar neste momento. Estamos confiantes e acreditamos que juntos vamos conseguir ultrapassar esta situação.

O mercado externo está nos planos?

Nunca dizemos que não a um bom desafio, mas para já estamos focados no mercado nacional e em chegar a todas as regiões de Portugal Continental e ilhas.

Ler Mais


Comentários
Loading...