As novas regras para a entrada de estrangeiros no ensino superior, criadas há seis anos, permitiram um acréscimo de 5477 novos estudantes nas universidades e politécnicos portugueses, um aumento em cerca de 38%, revela o “Público”.
«O Brasil, pela sua dimensão, é um dos países que mais estudantes tem enviado para Portugal por esta via, mas estamos a conseguir atrair alunos de cerca de uma centena de países, sendo já várias as instituições do superior que facilitam cursos em língua inglesa para aumentar esta atractividade», avançou ao “Público” o secretário de Estado do Ensino Superior. João Sobrinho Teixeira salientou a qualidade das universidades e politécnicos portugueses «comprovada nos rankings internacionais» como outro factor explicativo deste «sucesso», a par da segurança e do baixo custo de vida.
No ano lectivo anterior, o jornal lembra que eram 3968 os alunos estrangeiros com o Estatuto do Estudante Internacional (criada em 2014), que permite às instituições cobrarem propinas mais altas do que as cobradas aos estudantes que entram no superior pela via normal, com valores que oscilam entre os dois mil e os sete mil euros anuais.
«Este incremento de alunos estrangeiros não se verifica apenas nas grandes cidades, mas também nas instituições localizadas em zonas de baixa densidade, o que contribui para promover a coesão territorial», lembra Sobrinho Teixeira. Por outro lado, tendo em conta os números avançados pelo “Público”, as instituições do sector público são as mais beneficiadas por esta procura de estrangeiros: dos 5477 alunos estrangeiros, 4548 frequentavam universidades ou politécnicos públicos, enquanto as instituições privadas do ensino superior se ficavam pelos 929 alunos.
Actualmente, segundo o jornal, existem 13.853 vagas (10.646 no sector público e 3207 no privado). Ou seja, os referidos 5477 estrangeiros ocupam apenas 40% dos lugares disponíveis para o efeito. Se recuarmos ao ano lectivo de 2018/2019, existiam apenas 9629.
Por enquanto, a perspectiva «é manter o número de vagas», adianta o secretário de Estado do Ensino Superior, embora não descarte a hipótese de novo aumento do número de vagas «desde que continue a haver uma grande procura por parte dos estudantes internacionais e desde que as universidades provem que têm condições para tal, do ponto de vista material e pedagógico».
O “Público” recorda ainda que o Governo está a estudar a hipótese de abrir também os cursos de Medicina a estudantes internacionais, numa possibilidade que está a ser estudada pelo grupo que trabalha o acesso ao ensino superior, liderado por João Guerreiro, da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior. As conclusões desta reflexão deverão ser conhecidas em Maio.













