Um estudo realizado pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) mostrou que menos de metade dos alunos do 6.º e 9.º anos consegue atingir os níveis esperados em conhecimentos elementares nas diversas áreas.
O Secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, e o presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), Luís Santos, apresentaram esta segunda-feira os resultados do estudo ‘Diagnóstico nas Aprendizagens’, realizado entre os dias 2 e 21 de janeiro de 2021, que aufere o impacto do primeiro confinamento nas aprendizagens dos alunos.
A pesquisa teve por base três tipos de literacia: Da leitura e Informação; Matemática e Cientifica. As conclusões mostram que no primeiro item, apenas cerca de 47,1% dos alunos do 9.º ano e 41,9% dos do 6.º ano responderam com sucesso a pelo menos 67% das tarefas, no primeiro nível estudado (ser capaz de identificar informação explícita e identificar o assunto de uma parte específica de um texto).
Esta percentagem contrasta com 51,4% de alunos do 3.º ano, que no geral, nas três áreas demonstraram maior facilidade de aprendizagem no ensino à distância, face aos restantes dois.

O padrão repete-se nas restantes literacias analisadas. Na matemática, cerca de 44,4% dos alunos do 6.º e cerca de 39,5% de alunos do 9º. ano responderam com sucesso a pelo menos 67% das tarefas no primeiro nível. Aqui o nível diz respeito a ser capaz de mobilizar procedimentos, técnicas e conceitos na resolução de situações elementares. Resolver problemas rotineiros e ler e interpretar dados para produzir raciocínios simples. Mais uma vez os alunos do 3.º ano tiveram um melhor desempenho (62,0%).

Na terceira literacia, a científica, cerca de 62,3% dos alunos do 3.º ano responderam com sucesso a pelo menos 67% das tarefas no primeiro nível, que significa ser capazes de utilizar conhecimento
científico para descrever ou classificar entidades, fenómenos e acontecimentos naturais ou do quotidiano. Identificar informação científica em fontes diversas e reconhecer características elementares de uma pesquisa. Também aqui, nos alunos do 6.º a percentagem foi de 48,7% e nos do 9.º ano de 41,1%.

Apoio prestado em casa aos alunos
Uma percentagem considerável de alunos referiu ter tido apoio em casa na execução das tarefas escolares durante o período de suspensão das atividades presenciais nas escolas, aponta a pesquisa.
É salientado pelos alunos que, em casa, na maioria das situações, houve muito empenho em querer saber se os alunos estavam a realizar as tarefas escolares (76,6% no 3.º ano, 76,4% no 6.º ano e 62,6% no 9.º ano).
Mas também em querer saber o que os alunos estavam a aprender (69,6% no 3.º ano, 72,0% no 6.º ano e 57,4% no 9.º ano), em explicar novos conteúdos para os alunos do 3.º ano (53,0%) e em ajudar a fazer um horário para organizar o estudo para os alunos do 6.º ano (56,2%) e do 9.º ano (30,9%).
Em qualquer um dos anos de escolaridade muitos alunos referiram ter sentido falta do desporto e de outras atividades físicas organizadas pela escola (96,5% no 3.º ano, 82,8% no 6.º ano e 72,8%
no 9º ano).
Os alunos do 3.º ano referiram não terem tido muitas dificuldades na utilização do computador para efetuarem os trabalhos da escola (96,9%) nem no facto de estarem a aprender “sozinhos” (96,4%). Os alunos mais velhos indicaram ter melhorado a capacidade de utilizar o computador para fazer tarefas escolares (85,5% no 6.º ano e 82,6% no 9.º ano) e que os seus professores estiveram disponíveis sempre que precisaram (89,7% no 6.º ano e 87,4% no 9.º ano).
Recursos mais utilizados
Quanto aos recursos mais utilizados no seu trabalho em casa, os alunos de qualquer um dos anos de escolaridade abrangidos pelo estudo referiram que os recursos mais utilizados foram os manuais escolares, cadernos de atividades e fichas em papel (64,7% no 3.º ano, 56,3% no 6.º ano e 47,1% no 9.º ano), bem como as aulas síncronas dadas por um dos professores do aluno através do computador
(64,3% no 3.º ano, 66,4% no 6.º ano e 71,3% no 9.º ano).

No 3.º ano os alunos referiram ainda as aulas gravadas como o #EstudoEmCasa (63,7%). E os alunos mais velhos os manuais escolares, cadernos de atividades e fichas em formato digital (42,1% no 6.º ano e 41,2% no 9.º ano).
É nas dificuldades na utilização dos recursos para a aprendizagem que se encontram as maiores diferenças entre os alunos dos diferentes anos de escolaridade. Cerca de 20% dos alunos do 3.º ano mencionou o facto de ter dificuldade em aceder sempre a um sítio sossegado para estudar, 17% a um dispositivo, como computador, tablet ou telemóvel e cerca de 15% referiu ainda não ter sempre acesso à internet.
Os alunos dos 6.º e 9.º anos indicaram como principais dificuldades não se sentirem motivados para fazer as tarefas escolares e ter dificuldade em aceder sempre a um sítio sossegado para estudar. No caso do 6.º ano, os alunos mencionaram ainda o facto de não entenderem as tarefas escolares, no caso do 9.º ano, não terem quem os ajudasse na realização das tarefas escolares.














