A inflação e a guerra na Ucrânia têm contribuído para uma subida dos preços dos alimentos no último ano, sendo que, entre o final de fevereiro de 2022 e março de 2023, há produtos que quase duplicaram de preço nesse período.
O Governo já aprovou a medida de redução do IVA a 0% num cabaz de 44 produtos essenciais, mas a par desta ajuda, que só entrará em vigor a 15 de abril, há vários conselhos que deve ter em atenção e que podem fazer descer drasticamente o valor que gasta nos supermercados, nas compras de bens alimentares.
A Healthline falou com especialistas em nutrição e juntou uma série de recomendações para que as compras do mês não pesem no bolso e, ao mesmo tempo, que as poupanças não se traduzam numa alimentação menos rica ou variada.
1 – Planeie as suas compras e faça uma lista
É difícil quantificar a poupança, mas planear as compras nos super e hipermercados, fazendo uma lista antes de ir às superfícies comerciais ajuda a evitar compras por impulso, que podem pesar na fatura final.
Da mesma forma, deve-se planear os pequenos-almoços, almoços e jantares para a semana, com algumas receitas básicas que permitam identificar os ingredientes necessários. Investigadores apontam que, em média, as famílias jogam fora cerca de 30% dos alimentos que compram, pelo que estará a reduzir o desperdício alimentar, e a aliviar o aperto na carteira.
2 – Saiba escolher os produtos e não tenha medo de procurar alternativas
Frutas e vegetais são alguns dos produtos que mais aumentaram de preço, mas isso não deve ser razão para cortar no seu consumo. Escolher as versões congeladas, enlatadas ou desidratas é uma boa forma de poupar dinheiro e garantir que recebe as suas doses diárias de vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes. Tenha é atenção aos açúcares adicionados e ao sal.
Considere fazer algumas substituições: Em vez de alface, pode reaproveitar um repolho numa salada, trocar chalotas por cebolas, ou apostar nos frutos vermelhos congelados em vez dos frescos. Os congelados e enlatados permitem também evitar o desperdício e, para poupar ainda mais, opte por congelar os alimentos que sabe que não vai gastar.
3 – Vá à caça de promoções
Verifique os folhetos promocionais dos supermercados, os sites e plataformas próprias e compare os preços.
Tenha atenção a cupões de desconto e vales promocionais e integre-os no planeamento semanal que faz das refeições e compras.
4 – Olhe ao preço à unidade e ao quilo
Normalmente está num tamanho de letra mais pequeno, mas deve sempre ter em atenção o preço dos produtos de acordo com a unidade ou ao quilo/litro.
Por exemplo, se consome cereais todos os dias, todas as semanas, faz mais sentido comprar uma embalagem grande ou familiar em vez da mais pequena.
Normalmente as unidades mais pequenas acabam por sair mais caras do que a sua versão em embalagem maior
5 – Repense a proteína no prato
Carne, peixe e mariscos são alguns dos produtos alimentares mais caros no nosso prato, mas há formas de garantir poupança sem comprometer a proteína que ingerimos. O segredo passa por encontrar substituições.
Aposte mais nos ovos e em proteínas vegetais, como os feijões, grão ou tofu, mais baratos. Basta substituir uma ou duas refeições por semana e já estará a poupar.
Pode também escolher os cortes de carne mais baratos (carne picada, pernas de frango), e fazer ‘esticar’ a carne, misturando-a com vegetais e grãos em hambúrgueres, estufados ou assados. Congele o que não for usar.
6 – Tenha atenção aos prazos de validade
A indicação ‘consumir de preferência até xx’ quer dizer isso mesmo: que preferencialmente deve comer o alimento até à data indicada, mas pode também consumi-lo depois disso, ainda que algumas características possam mudar. Por outro lado o ‘consumir até’ deve ser levado mais a sério.
As regras não são tão restritas e imposta saber bem os rótulos. Evite sim os produtos que possam criar bolores ou ficar rançosos.
7 – ‘Compre’ primeiro na dispensa e no congelador
Às vezes parece que não tem nada em casa para o jantar, mas uma rápida pesquisa na dispensa e no congelador pode revelar o contrário. Um bife esquecido no congelador, um resto de brócolos que acabou atirado para o fundo, podem juntar esforços com o esparguete que tem no armário e ‘salvar’ uma refeição.
Habitue-se a fazer um inventário do que tem (e não tem) em casa.
8 – Compre em grandes quantidades…Mas só quando faz sentido
Comprar uma grande quantidade de todos os alimentos não é a escolha mais inteligente, até porque significa um gasto maior ao chegar à caixa, mas quando feito de forma ponderada pode resultar em poupança.
Por vezes há descontos nas superfícies comerciais para compras em maior quantidade (o leve 3 pague 2), que podem fazer sentido em alguns casos: para as famílias maiores, e caso se trate de um produto que consome muito habitualmente, ou sabe que vai consumir a totalidade do que vai comprar.
9 – Não tenha ‘vergonha’ de trair o seu supermercado habitual
Compare preços de diferentes supermercados e hipermercados. Visite pequenas mercearias de bairro, mercados, ou lojas que habitualmente não frequenta. Avalie as poupanças que pode fazer se fizer as compras em diferentes locais, em vez de comprar tudo no mesmo local.
Ao ‘misturar’ os locais onde vai encher a despensa poderá encontrar poupanças surpreendentes.
10 – Conveniência nem sempre é amiga da carteira
Os legumes pré-preparados e cortados, as saladas já embaladas, os molhos já prontos são produtos tentadores e muito convenientes se houver falta de tempo, mas muitas vezes são inimigos da poupança.
Avalie se a opção mais ‘prática’ é a que de facto se traduz num benefício, e equilibre-o entre o tempo poupado e o preço que significa. Por vezes compensa, outra não.
Se a hipótese é entre qualquer coisa pré-feita e ir jantar fora, então a conveniência pode significar poupança. Se significa passar mais dois minutos a cortar uma cenoura, ou a picar cebola ou alho, então oiça a carteira e ponha as preguiças de parte.







