Enorme canhão de fusão nuclear dispara ‘balas’ de hidrogénio a uma velocidade Mach 21 para criar energia infinita e 100% verde: veja o vídeo

Segundo a First Light Fusion, uma unidade comercial que utilize este processo terá uma potência de 744 megawatts e não terá resíduos radioativos nem perigo de qualquer espécie

Francisco Laranjeira

Os fundadores da ‘First Light Fusion’ (FLF) descobriram a pólvora… no sentido literal: o seu método de fusão termonuclear inercial utiliza três quilos de pólvora para disparar um projétil a sete quilómetros por segundo (Mach 21) através de um canhão de 22 metros de comprimento, até atingir um objetivo de fusão e gerar uma estrela em miniatura.

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A empresa de Nicholas Hawker e Yiannis Ventikos – cientistas da Universidade de Oxford que fundaram a empresa no final de 2011 – disseram que a sua tecnologia de fusão inercial é “o caminho mais rápido, simples e barato para obtê-la”. O sucesso do seu método, garantiram, “foi validado de forma independente pela Autoridade de Energia Atómica do Reino Unido”, sendo que o protótipo lhes custou 1,27 milhões de euros.

Em março último, a FLF garantiu que teria uma central piloto a gerar cerca de 150 megawatts na década de 2030. No entanto, após vários testes com o canhão, Hawker parece mais convencido do que nunca de que está no bom caminho para conseguir a fusão inercial, ou seja, aquela que gera mais energia do que aquela que gasta.

Isto porque, em vez de ter de utilizar quantidades brutais de energia para confinar campos magnéticos ou lasers, o seu método é de origem química e de resultados físicos. Diz que “o ganho líquido de energia foi demonstrado com a fusão inercial, mas o condutor, em vez de ser um laser, foi um teste de armas subterrâneas”. Portanto, há uma prova empírica de que é possível obter um elevado ganho de energia com a “fusão inercial”.

Em vez de procurar a fusão contínua, o método First Light Fusion é uma técnica pulsante: a cada disparo ocorre uma reação, cuja energia é recolhida. Os disparos são contínuos e rápidos, como as explosões do cilindro de um automóvel. Consulte o processo neste vídeo.

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Ao interagirem entre si, as ondas de choque geram uma pressão de 100 terapascais de todos os lados do cubo, acelerando o combustível até aos 252 mil quilómetros por hora. Ou seja, Mach 204, mais de 200 vezes a velocidade do som. Segundo a empresa, isto faz da esfera de combustível o objeto mais rápido do planeta, comprimindo de vários milímetros a 100 mícrons. Aí ocorre a fusão termonuclear, gerando calor e neutrões que são absorvidos pelo lítio líquido que cai em cascata na câmara. Ao cair, a torrente de lítio líquido com um metro de espessura entra num circuito de troca de calor, aquecendo a água e produzindo o vapor necessário para acionar a turbina que produz eletricidade. O disparo seria repetido a cada 30 segundos num reator comercial.

Segundo a First Light Fusion, uma unidade comercial que utilize este processo terá uma potência de 744 megawatts e não terá resíduos radioativos nem perigo de qualquer espécie. O custo operacional, dizem, seria semelhante ao da energia eólica: 50 dólares por MWh. Mas, ao contrário da energia eólica ou solar, este método pode funcionar 24 horas por dia, 365 dias por ano.

Obviamente, embora a empresa britânica tenha conseguido a sua primeira reação de fusão, ainda falta pelo menos uma década para construir esta fábrica, se conseguir o financiamento necessário. O bom é que não estão sós: há múltiplas empresas e organizações a testar métodos promissores, alguns que são variações de linhas de investigação existentes ou desta, que é uma ideia radicalmente nova. O objetivo da energia infinita, barata e 100% verde parece cada vez mais próximo.

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