Enfermeiros do Hospital Beatriz Ângelo e dos Hospitais da Universidade de Coimbra em protesto por melhores condições de trabalho

Exaustos devido à pandemia, os enfermeiros do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, bem como os enfermeiros dos Hospitais da Universidade de Coimbra concentram-se esta quinta-feira para exigirem melhores condições de trabalho ao Ministério da Saúde.

A primeira concentração foi convocada pelo SEP – Sindicato dos Enfermeiros Portugueses para exigir do Conselho de Administração e do Ministério da Saúde a resolução dos problemas dos enfermeiros do hospital.

No dia 19 de fevereiro, o hospital dispunha de 319 camas alocadas para ‘doentes covid’. Devido à diminuição do número de internados, estima retomar a atividade cirúrgica não urgente a partir de março.

O Hospital Beatriz Ângelo, localizado no concelho de Loures, abriu em janeiro de 2012 para servir 272 mil habitantes dos concelhos de Loures, Odivelas, Mafra e Sobral de Monte Agraço.

Já em Coimbra, os enfermeiros protestam contra a medida do Governo e do Ministério da Saúde que viabiliza a admissão com Contratos a Termo Certo em 2020 e com Contratos a Termo Incerto, agora, em 2021, em lugar dos Contratos Sem Termo como o SEP exige.

O sindicato já alertou que há uma “carência estrutural de enfermeiros no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra” que “não vai passar com a pandemia”, pelo que exige melhores condições para os profissionais.

Apesar de o número de casos e de mortes por covid-19 estarem a baixar, a terceira vaga da pandemia ainda está a dar luta nos hospitais. O cansaço sentido pelos profissionais de saúde, neste caso, os enfermeiros foi inclusivamente notícia lá fora esta quarta-feira.

Uma reportagem da Reuters relata que os enfermeiros portugueses “estão exaustos” e “querem salários, não aplausos”. O artigo em causa aborda o caso de Inês Lopes, uma enfermeira do Hospital de São José, em Lisboa, que pode ser generalizado a outros profissionais de saúde, em condição semelhante.

“Eles [os políticos] dizem que somos os melhores do mundo, mas não há aumento de salários”, desabafa à agência internacional. “Bater palmas e agradecer não vai resolver nada”, acrescentou, sublinhando que muitos enfermeiros têm dois empregos para sustentar as famílias.

Existem cerca de 45.500 enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde (SNS), divididos em três categorias profissionais. Quase metade ganha 1205 euros por mês, sem contar com os impostos. Depois desse desconto, alguns levam para casa apenas 980 euros, só 315 euros acima do salário mínimo, de acordo com a Ordem dos Enfermeiros.

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