O Governo está a oferecer contratos de quatros meses a enfermeiros, mas o valor pago está a causar revolta entre os profissionais, revela a “Sábado”.
É o caso de Carmen Garcia, enfermeira no Hospital do Espírito Santo, em Évora, que critica a iniciativa do Governo em oferecer contratos de quatro meses a enfermeiros para o Serviço Nacional de Saúde pelo valor oferecido: «Seis euros e quarenta e dois cêntimos por turnos de doze horas enfiados em hospitais de campanha, metidos em fatos assustadoramente desconfortáveis, com máscaras e óculos que ferem o rosto. Seis euros e quarenta e dois cêntimos para não dormir em casa e não ver os pais nem os filhos durante semanas que se podem transformar em meses», escreveu na rede social Facebook.
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No mesmo post, a enfermeira continuou: «No meio dos aplausos da pandemia, no momento em que somos chamados de heróis, quando nos dizem que somos os soldados da linha da frente e a ultima fronteira entre a vida e a morte, o governo tenta recrutar enfermeiros com a vergonhosa proposta de pagamento de 6.42 euros/hora. Vou repetir porque vocês podem não ter percebido bem: são seis euros e quarenta e dois cêntimos por cada hora de trabalho no meio do inferno de onde todos querem fugir».
Recordando que a ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou que «o valor base de um enfermeiro em início de carreira é 7.42 euros», Carmen Garcia atira: «E diz isto sem corar de vergonha, reparem. Como se não fosse absolutamente vergonhoso ter quem nos cuida a receber por hora o mesmo que uma empregada doméstica. E mesmo assim ainda conseguiram retirar um euro a este valor, na proposta mais vergonhosa que me lembro de ler».
«Seis euros e quarenta e dois cêntimos por hora é o que querem pagar a quem vai salvar a vossa vida. É quanto o governo decidiu que vale a primeira linha, a última fronteira. Não sei se estão a pensar pagar o resto em palmas ou com palavras bonitas», rematou.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infectou cerca de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 80 mil. Dos casos de infecção, cerca de 260 mil são considerados curados.
Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.
Em Portugal, segundo o balanço feito ontem pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 345 mortes e 12.442 casos de infecções confirmadas. Dos infectados, 1.180 estão internados, 271 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 184 doentes que já recuperaram.
Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de Março, encontra-se em estado de emergência desde a meia-noite de 19 de Março e até ao final do dia 17 de Abril, depois do prolongamento aprovado na passada quinta-feira na Assembleia da República.










