O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, vai reunir-se esta sexta-feira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, com o objetivo principal de obter uma isenção das sanções americanas impostas ao petróleo russo. A visita marca uma nova fase nas relações bilaterais e evidencia o papel estratégico da Hungria num momento de forte tensão entre Ocidente e Moscovo.
O encontro será a primeira reunião bilateral entre Trump e Orbán desde que o presidente americano regressou à Casa Branca. Orbán fez-se deslocar a Washington acompanhado por uma “grande delegação” composta por ministros húngaros, responsáveis económicos e conselheiros de segurança, conforme relatado pela imprensa húngara.
No centro da agenda estará o pedido da Hungria para obter uma isenção às recentes sanções americanas contra as gigantes russas do petróleo Rosneft e Lukoil. Orbán justificou o pedido com o argumento de que a Hungria importa mais de quatro quintos do seu petróleo bruto da Rússia – segundo o think-tank americano Atlantic Council, a dependência húngara atingiu 86% do abastecimento em 2025.
Orbán sustenta que, por ser um país sem acesso direto ao mar, depende de oleodutos russos e de infraestruturas que não têm alternativa viável hoje. Parar ou reduzir drasticamente as importações russas, afirma, “resultaria num colapso económico” para a Hungria.
Por seu lado, a administração Trump impôs recentemente as sanções mencionadas, abrindo a possibilidade de penalizar compradores estrangeiros das empresas russas envolvidas — o que inclui países da Europa Central como a Hungria.
Além do dossier energético, espera-se que os dois líderes abordem um pacote mais amplo de cooperação económica entre Estados Unidos e Hungria, incluindo investimento americano em Budapeste. Contudo, como frisou Orbán, “qualquer acordo dependerá da garantia de acesso contínuo da Hungria à energia russa”.
O encontro coloca a Hungria numa posição delicada entre os compromissos do Ocidente – nomeadamente a estratégia da União Europeia de reduzir a dependência energética da Rússia – e a sua relação estreita com Moscovo. A Hungria, ao manter as importações russas de petróleo via oleoduto em plena guerra da Ucrânia, contraria a maioria dos Estados-membros da UE.
Para os Estados Unidos, o encontro representa tanto uma oportunidade de reforçar sua influência na Europa Central como um teste à coerência da sua política de sanções: conceder uma exceção à Hungria poderia enfraquecer a mensagem global de pressão contra a Rússia, mas negar a Orbán pode gerar tensão numa das pontes geográficas cruciais da Europa para a Ásia e o Oriente. Segundo Trump, “ele pediu por uma exceção, mas não a concedemos”.
A balança de forças geopolítica também está em jogo: o facto de Trump receber Orbán, aliado de longa data de Vladimir Putin, num contexto em que Moscovo e Pequim reforçam os laços com países da Europa Central, sublinha a importância estratégica desta zona para Washington.














