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«Empresas que experimentem novas ideias vão sair vitoriosas desta época»

Formado em Engenharia Informática, Luís Gonçalves começou a trabalhar em gestão organizacional na Nokia, na Finlândia, e, desde então, conta com 10 anos de experiência em tornar empresas mais ágeis e digitais. Em 2019 escreveu um livro, best-seller da Amazon «Organisational Mastery: The product development blueprint for executive leaders», que explica como estas devem ser mais ágeis para escalar e ganhar competitividade. Atualmente é fundador da consultora Evolution4All, que ajuda empresas em Portugal, Alemanha e Aurábia Saudita a aplicar metodologias Agile para reinventar a forma como operam, tendo trabalhando com BNP Paribas, Invoice Express, entre outras.

Fundou a consultora Evolution4All. O que faz a sua empresa?

Somos uma boutique de consultoria empresarial que trabalha lado a lado com líderes e executivos para reinventar e transformar as suas empresas de maneira a crescerem e terem sucesso na era digital. Apesar de estarmos baseados na Alemanha, somos uma empresa global, trabalhando com clientes não só neste mercado, mas também em Portugal e Arábia Saudita.

Que estratégias devem adotar as empresas para reestruturem os seus negócios e sair da crise mais rápido?

Acredito que existem 5 pilares fundamentais que os líderes devem ter em atenção para conseguirem sair da crise rapidamente. Esses pilares são:

– Reinvenção de como atrair e servir potenciais clientes – no meu ponto de vista vejo muito poucas empresas a tirarem partido da parte digital, mas existe uma mina de ouro para ser explorada. Ter uma boa estratégia de criação de conteúdo e usar redes sociais para espalhar, educar e inspirar possíveis clientes é uma estratégia que poucas empresas usam e que tem um retorno gigante. A maior parte do negócio da nossa empresa é gerado usando esta estratégia. Por outro lado, face às mudanças de comportamentos, há que criar estratégias que tornem os produtos/serviços mais acessíveis e interativos, bem como personalizar a experiência do cliente, dando-lhe a oportunidade de participar no próprio desenvolvimento do produto final

– Estratégia para tirar partido dos dados de clientes e potenciais clientes – hoje em dia, é fundamental ter uma estratégia de análise dados para poder perceber muito melhor o que se passa dentro da empresa. Tipicamente, estes dados têm três categorias: “Dados de processos de negócio”, “Dados de produto ou serviço” ou “Dados dos clientes”. Quando os líderes desenvolvem uma boa estratégia de uso e análise dados conseguem com bastante rapidez ter acesso a “insights” que podem ajudar a empresa a poupar muito dinheiro. Ou podem até mesmo gerar ideias de como criar fontes de rendimento com novos produtos ou serviços.

– Agilidade organizacional – sobretudo no contexto atual, as empresas têm de adotar processos e metodologias de trabalho que permitam a empresa experimentar novas abordagens, iterar e adaptar-se ao mercado rapidamente. Metodologias como Scrum, Kanban e outras tem sido usadas há vários anos nas empresas de software, mas não significa que se apliquem apenas a este tipo de empresas, existem abordagens equivalentes que podem ser aplicadas noutros setores. Para sair de uma crise como a que o Covid-19 vai provocar, as empresas precisam assim de adotar estas metodologias para se tornarem mais eficientes.

– Estratégia de produto digital – outro aspeto bastante importante que os líderes têm de ter em mente é olhar para o seu modelo de negócios e perceber se está adequado com a realidade. A pandemia Covid-19 é sem dúvida o evento que está a puxar a sociedade oficialmente para a era digital, e que, consequentemente, vai forçar as empresas a repensar todo o seu negócio para esta nova realidade. A UBER e o AirBnB são bons exemplos de como os seus modelos de negócio mudaram radicalmente indústrias estabelecidas e, como tal, as empresas tradicionais não podem desprezar este ponto, ou, caso contrário, morrerão brevemente.

– Transformação no desenho organizacional da empresa – a maioria das empresas estão desenhadas usando os princípios da Era Industrial, sobretudo organizadas por departamentos funcionais. No entanto, para as empresas conseguirem sobreviver nesta nova era tem de ser reestruturadas e repensadas de uma maneira completamente diferente. As empresas têm de estar desenhadas de maneira a que consigam mudar de direção muito rapidamente. Têm de estar otimizadas para velocidade, logo há que quebrar com o modelo matricial da maioria das empresas, que está velho e ultrapassado, e adotar uma cultura onde a Inovação passa a ser parte integral da empresa.

Quais as melhores metodologias?

Através da Evolution4All, criámos abordagens próprias para ajudar os líderes a conseguirem ultrapassar estes desafios. Uma delas é o Organisational Mastery Blueprint, abordagem que resultou num livro que publiquei o ano passado, no qual são descritas todas as etapas essenciais para impulsionar inovações internas rápidas e consistentes e permitir que empresa reaja positivamente a qualquer mudança no mercado. A segunda abordagem é o ADAPT Methodology, que resultará num livro que irá ser lançado em setembro.

Estas abordagens foram fortemente inspiradas em várias metodologias usadas mundialmente, como por exemplo: “OKRs – Objectives Key Results”, metodologias ágeis como Scrum ou Kanban, Lean Product Management, Change Management e Design Thinking. Na Evolution4All apenas construímos algo em que combinamos várias metodologias de uma maneira simples e própria para ajudar os executivos.

Em 2019 escreveu um livro, best-seller da Amazon, que explica como as empresas devem ser mais ágeis para escalar e ganhar competitividade. Resumidamente, pode explicar-nos alguns dos principais pontos?

Como referi anteriormente, o livro Organisational Mastery Blueprint, ensina líderes a impulsionar inovações internas rápidas e consistentes e permitir que empresa reaja positivamente a qualquer mudança no mercado. Ao longo de 200 páginas destaco 5 pontos fulcrais para as empresas conseguirem esse objetivo.

– Alinhar e traduzir a estratégia para todos os colaboradores – as organizações que conseguem traduzir a estratégia em ações operacionais e medir o impacto dos seus objetivos têm uma maior probabilidade de sucesso em comparação com os seus concorrentes.

– Reduzir a complexidade organizacional e o time to market – as organizações que conseguem otimizar a sua estrutura para lançar produtos rapidamente têm uma vantagem estratégica em relação aos seus concorrentes. Normalmente isto passa por transformar uma empresa que está otimizada para o desenvolvimento de projetos para o desenvolvimento de produtos/serviços.

– Construir uma estrutura onde a melhoria contínua é parte do DNA da empresa – é crucial para qualquer organização criar uma cultura de melhoria contínua entre todos os colaboradores, de forma a identificar o que funciona e não funciona e assim conseguir ter uma empresa que tem sempre como objetivo funcionar melhor do que no passado.

– Criar uma organização onde a aprendizagem é contínua – no mundo de hoje, com o número infinito de tecnologias e práticas organizacionais, empresas sem uma estratégia adequada para partilhar o conhecimento entre os colaboradores têm grandes hipóteses de conseguirem desenhar uma organização com as melhores abordagens que permitam ultrapassar a concorrência.

– Cultura de inovação – é essencial que as organizações trabalhem continuamente em estratégia que permitam que a inovação floresça em todos os níveis da empresa.

Quais os principais desafios de quem desempenha cargos de liderança?

Tenho discutido este tópico com vários executivos e muitos confessam que o maior desafio que têm é “desaprender” o que aprenderam e o que os levou a ter tanto sucesso. Vários executivos concordam que todas as práticas e maneiras de liderar os levaram às posições que têm hoje, mas muitos percebem que o que funcionou no passado já não funciona no presente. A sociedade é extremamente rápida e as coisas acontecem a um ritmo completamente diferente de antigamente. Gerir millennials não é a mesma coisa que gerir babyboomers. A maneira como desenham as operações para a era digital não é a mesma que para a era industrial. Como tal, o maior desafio neste momento é o facto de terem que quase reaprender muitas das ideias de gestão e liderança para a nova era digital.

No momento em que vivemos, muitas empresas não vão conseguir sobreviver ao período Pós-Covid. Na sua opinião, que características terão as empresas que irão conseguir sobreviver?

Face ao contexto atual, tento não embarcar no ambiente de pânico. É verdade que muitas empresas não vão conseguir resistir, mas por outro lado acredito que o Covid-19 irá trazer oportunidades na nossa sociedade nunca antes vistas. O teletrabalho é um exemplo minúsculo de como a maneira de trabalhar no mundo inteiro foi adaptada em questão de dias, sendo que as empresas que vão sobreviver são aquelas que terão a capacidade de mudar o seu modelo de negócio tão rápido como o mundo mudou a maneira de trabalhar. Empresas que tenham a capacidade de mudar de direção, de experimentar novas ideias, de validar soluções, receber e integrar o feedback dos clientes nos seus produtos/serviços são aquelas que vão conseguir sair vitoriosas desta época.

 

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