As empresas portuguesas encerraram 2024 mais fortes, resilientes e financeiramente equilibradas. A conclusão é do estudo Panorama Empresarial – Edição 2025, da Iberinform, que revela um ciclo de crescimento sustentado no tecido empresarial nacional, com a maior criação e acumulação de valor desde 2019.
Segundo o relatório, as empresas não financeiras reforçaram a sua solidez estrutural, aumentaram a liquidez e reduziram a exposição ao risco, apresentando hoje níveis de autonomia financeira superiores aos registados antes da pandemia.
Forte criação de valor e peso crescente na economia
O Valor Acrescentado Bruto (VAB) atingiu 120,3 mil milhões de euros em 2024, um crescimento de 8,9% face ao ano anterior e de 29,3% comparando com 2019. As empresas passaram a representar 47,8% da oferta interna, consolidando o seu peso no Produto Interno Bruto.
A oferta interna subiu para 69,5% da oferta total, evidenciando uma recuperação robusta da produção nacional e dos investimentos realizados.
Exportações estáveis e dinamismo do mercado interno
As exportações corresponderam a 31,8% da procura total, com destaque para os serviços (11,9%), impulsionados pelo turismo, construção e tecnologias da informação. O saldo externo de bens e serviços melhorou para 1,3%, reforçando o equilíbrio da balança comercial.
Em paralelo, o mercado interno ganhou tração, apoiado pelo consumo e pelo investimento em construção. A Formação Bruta de Capital fixou-se em 14,2%, sinalizando dinamismo económico.
Empresas mais rentáveis e eficientes
A margem bruta negocial subiu para 49,2% e o grau de valorização para 25,7%, revelando maior eficiência operacional. A rendibilidade líquida (EBIT) atingiu 8,2%, apoiada por uma margem de segurança robusta de 11,5%.
O risco económico manteve-se baixo, refletindo a estabilidade e capacidade de resposta das empresas perante contextos adversos.
Solidez financeira reforçada
A autonomia financeira aumentou para 46,9%, enquanto o recurso a capital alheio remunerado recuou para 24,6%. A geração de caixa atingiu 16% do volume de negócios, acompanhada por um reforço da liquidez.
O tempo crítico de rutura de tesouraria aproximou-se dos três meses e o prazo médio de pagamentos diminuiu para 62 dias — indicadores que apontam para maior controlo financeiro e menor vulnerabilidade de tesouraria.
Construção cresce com procura habitacional
O setor da Construção manteve um ritmo forte de crescimento, representando 5% do VAB, impulsionado pela elevada procura imobiliária e habitacional. Já a Indústria e Floresta destacaram-se pela maior criação de valor (26,7 mil milhões de euros), apresentando simultaneamente baixos níveis de risco económico e financeiro.
Comércio, Transportes e Alojamento consolidaram a recuperação (23,3% do VAB), enquanto as Atividades Financeiras e Seguros representaram 6,3%, beneficiando da subida das taxas de juro e da retoma dos serviços financeiros.
A Iberinform conclui que as empresas portuguesas entraram em 2025 com níveis históricos de liquidez, autonomia financeira e capacidade de autofinanciamento. O panorama empresarial reflete maior maturidade estratégica e uma gestão orientada por critérios de sustentabilidade, eficiência e prudência.














