As intenções de contratação das empresas em Portugal vão manter-se positivas no último trimestre de 2025, mas continuam a abrandar face aos períodos anteriores.
De acordo com o ManpowerGroup Employment Outlook Survey, a Projeção para a Criação Líquida de Emprego situa-se em +14%, menos dois pontos percentuais do que no trimestre passado e seis pontos abaixo do registado no mesmo período de 2024.
O inquérito, realizado a 522 empregadores portugueses, mostra que 34% planeiam contratar mais trabalhadores até dezembro, 43% esperam manter as equipas e 21% admitem reduzi-las.
“As intenções de contratação dos empregadores nacionais refletem uma postura de maior cautela, colocando Portugal na metade inferior dos países analisados, em termos de expectativas de criação de emprego para os próximos três meses”, explica Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup Portugal. “
Rui Teixeira explica ainda que, “de facto, embora os dados do INE tenham revelado um crescimento do PIB Português no segundo trimestre, a nível global, a desaceleração em grandes economias relevantes para o nosso país e a incerteza em torno da aplicação de tarifas por parte dos EUA, que teve o seu ponto alto no mês de julho, e que agora se concretiza num aumento para 15%, tem tido um impacto direto nos setores mais expostos ao comércio internacional e ao sentimento dos consumidores. Esta necessidade de equilíbrio entre a resiliência interna e os riscos externos leva, assim, as empresas nacionais a mostraram-se prudentes no aumento da sua força de trabalho, adotando uma abordagem que lhes permite limitar riscos ao lidarem com estes desafios.”, conclui.
Setores em contraste
O setor dos Serviços de Comunicação lidera o otimismo com uma projeção de +38%, seguido da Energia e Utilities (+38%) e das Tecnologias de Informação (+22%). Já os setores de Transportes, Logística e Automóvel (+14%) e Saúde e Ciências da Vida (+13%) mantêm perspetivas positivas, ainda que este último registe uma queda de 14 pontos face ao trimestre anterior.
Em sentido oposto, os Bens e Serviços de Consumo apresentam a previsão mais negativa (-9%), penalizados pelo aumento das tarifas norte-americanas em subsetores como têxtil, bens de luxo e produtos alimentares.
Diferenças regionais
A Região Centro surge como a mais dinâmica, com uma projeção de +21%, seguida da Grande Lisboa (+19%) e do Grande Porto (+13%). No Sul, contudo, a previsão é negativa (-4%), refletindo o fim da época alta no turismo e sinais de abrandamento da atividade.
Empresas maiores resistem
Entre as diferentes dimensões de empresa, apenas as Microempresas preveem reduzir trabalhadores (-11%), acumulando dois trimestres consecutivos em terreno negativo. Já as Grandes Empresas com mais de 5.000 colaboradores mostram resiliência, com uma projeção de +31%, 17 pontos acima do trimestre anterior.
Contexto global
O estudo, que inquiriu mais de 40 mil empregadores em 42 países, confirma que o abrandamento não é exclusivo de Portugal. Globalmente, a Projeção para Criação Líquida de Emprego fixa-se em +23%, um ponto abaixo do trimestre anterior. A América do Norte regista a maior quebra, com +27%, o valor mais baixo desde 2021, enquanto a Europa mantém-se estável (+18%), apesar de apresentar as perspetivas mais fracas entre todas as regiões analisadas.




