Empresas norte-americanas entregam bónus antes de declararem falência

Hertz e JC Penney são apenas algumas das empresas norte-americanas que se viram obrigadas a declarar falência durante a pandemia. São também algumas das que atribuíram bónus dias antes.

Executive Digest

Hertz e JC Penney são apenas algumas das empresas norte-americanas que se viram obrigadas a declarar falência durante a pandemia. São também algumas das que atribuíram bónus significativos aos respectivos executivos precisamente antes de fecharem portas, segundo avança o Financial Times.

Os bónus entregues andam na casa dos milhões de dólares e estão a enfurecer os credores, que aguardam pela liquidação das dívidas enquanto os gestores e CEOs vêem as contas bancárias aumentar. Os credores afirmam mesmo que estes pagamentos são recompensas pelos maus resultados obtidos.

A mesma publicação indica que, na maioria dos casos, os pagamentos em causa estão associados a gestores séniores que se mantêm em funções enquanto as empresas são alvo de uma reestruturação . Quem apoia esta prática defende que limita a disrupção em empresas que já enfrentam um futuro incerto. Além disso, esta será também uma forma reter talento que poderá ser crucial na empresa pós-bancarrota.

Mas não é esta a visão dos credores, especialmente quando os bónus são atribuídos apenas alguns dias antes de as empresas despedirem trabalhadores ou se recusarem a pagar juros. «Não acho que estes pagamentos de retenção sejam de alguma forma merecidos», diz Tom Krasner, fundador da Concise Capital.

Brad Holly, CEO da Whiting, é um dos nomes que está a gerar confusão. No final de Março, recebeu 6,4 milhões de dólares depois de um novo plano de compensações ser aprovado pela administração (da qual faz parte), menos de uma semana antes de a empresa abrir falência. Recentemente, a companhia anunciou que deverá regressar à actividade já no próximo mês e que, nessa altura, Brad Holly deixará o cargo de CEO. Quando isso acontecer, receberá mais 2,53 milhões de dólares.

Continue a ler após a publicidade

No total, adianta o Financial Times, a Whiting pagou mais de 14 milhões de dólares a executivos antes de pedir ajuda para dar a volta ao negócio. Em documentos oficiais, explica que o plano de recompensas visa “alinhar os interesses da empresa e dos seus funcionários”.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.