Duas empresas detidas pelo marido de Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial, receberam centenas de milhares de euros em fundos comunitários, revelou esta quarta-feira o jornal ‘Observador’ – num dos projetos, foram entregues 303.275 euros, dos quais 133 mil para a Thermalvet, que é detida em 40% pelo empresário António Trigueiros de Aragão, marido da ministra que é responsável pela tutela das entidades responsáveis pela gestão de fundos comunitários.
No entanto, Ana Abrunhosa não vê incompatibilidade e sustentou com um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), no qual se pode ler uma referência à “obscuridade da lei”, sugerindo aos legisladores que “ponderem cuidadosamente” sobre que está em causa. O parecer foi pedido a 6 de abril de 2021, mas a resposta chegou já após a aprovação da candidatura do marido da governante.
A empresa Thermalvet vai receber 133 mil euros e o projeto, que começou a 1 de novembro de 2020, será financiado pelo Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural e pretende desenvolver “produtos inovadores de uso veterinário”. Mas a empresa foi criada a 14 de outubro de 2020, apenas 15 dias antes do início da execução do projeto, e quando Ana Abrunhosa já era ministra no Governo de António Costa.
Há outra empresa, a XIPU, que recebeu fundos comunitários no valor de 66.015 euros, mas o apoio surge no âmbito do programa Compete 2020, tutelado pelo Ministério da Economia.




