Os empresários portugueses apelaram a uma resposta firme, mas ponderada, por parte da União Europeia face às novas taxas alfandegárias impostas pelos EUA. A medida, promovida por Donald Trump, entra esta quarta-feira em vigor e penaliza as importações vindas da Europa, com um agravamento de 20%.
O ministro da Economia, Pedro Reis, reuniu-se com várias associações empresariais para ouvir as suas preocupações, e estas sublinham que uma retaliação simétrica por parte da UE poderá prejudicar empresas e consumidores europeus, especialmente nos setores que dependem da importação de matérias-primas dos EUA, revela o ‘Público’.
Gualter Morgado, da Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins (APIMA), alerta para os riscos de taxar bens essenciais à produção nacional, como a madeira americana, fundamental para a indústria portuguesa do mobiliário. Isabel Trepa Torres, exportadora para os EUA, teme o impacto burocrático e económico que as novas regras poderão provocar no setor.
Durante o Salone del Mobile, em Milão, onde Portugal marca presença com mais de 70 empresas, o ambiente é de preocupação moderada. Apesar da incerteza, os empresários continuam a apostar no mercado norte-americano, que se mantém como um dos principais destinos das exportações portuguesas fora da UE. Em 2024, o setor do mobiliário exportou quase 2200 milhões de euros, com os EUA a apresentarem-se como o mercado com maior potencial de crescimento.
O Governo português garantiu que está a trabalhar numa resposta articulada, envolvendo várias entidades como a AICEP, IAPMEI e Compete. O presidente da CIP, Armindo Monteiro, defendeu uma abordagem diplomática, mas exigiu reforço nos mecanismos de apoio à exportação, como os seguros de crédito. As empresas, por sua vez, continuam a planear ações comerciais nos EUA, mantendo a aposta a médio e longo prazo, ainda que com maior prudência e flexibilidade.






