Empresários portugueses acreditam que a entrada de gestores do setor privado poderia melhorar significativamente a gestão do Estado

A mais recente edição do Barómetro KAIZEN™ revela que mais de 50% dos inquiridos expressaram confiança de que práticas de eficiência do setor privado poderiam ser aplicadas ao setor público.

André Manuel Mendes

Uma grande parte dos empresários portugueses acredita que a entrada de gestores do setor privado poderia melhorar significativamente a gestão do Estado.

A mais recente edição do Barómetro KAIZEN™ revela que mais de 50% dos inquiridos expressaram confiança de que práticas de eficiência do setor privado poderiam ser aplicadas ao setor público, especialmente após a nomeação de Elon Musk para liderar um departamento de eficiência governamental nos Estados Unidos.



O Barómetro, que inquiriu mais de 250 gestores de médias e grandes empresas em Portugal, também aponta para uma série de desafios que as empresas enfrentam no contexto atual de incerteza económica e política. A escassez de mão de obra qualificada e a necessidade de adaptar-se às exigências de práticas sustentáveis são algumas das questões enfrentadas pelas empresas portuguesas.

No entanto, apesar desses desafios, a confiança dos gestores na economia nacional manteve-se estável, com uma ligeira melhoria em comparação com a edição anterior, em novembro de 2024.

A queda do governo português foi um fator que gerou apreensão entre os empresários, mas 59% acreditam que o impacto será temporário e que a estabilização ocorrerá a curto prazo. No entanto, 33% dos inquiridos temem que a instabilidade política aumente a incerteza e dificulte o ambiente económico.

Outro tema relevante destacado no estudo foi a reestruturação da Administração Pública. 86% dos empresários apontaram a Justiça como a área que mais necessita de intervenção e reestruturação, seguida da Saúde com 79%. Quando questionados sobre a possibilidade de gestores do setor privado ajudarem a melhorar a gestão pública, 38% dos inquiridos defenderam que a experiência empresarial poderia impulsionar a eficiência dos processos administrativos.

Relativamente aos desafios económicos globais, os gestores portugueses estão atentos à desaceleração da economia da Alemanha e às possíveis tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos à União Europeia. No entanto, 40% dos inquiridos não adotaram medidas específicas para mitigar os efeitos de uma crise alemã, considerando que o impacto seria moderado.

A transformação digital, a eficiência operacional e o aumento da produtividade surgem como prioridades estratégicas para 2025. 74% dos gestores destacam a eficiência operacional como fator crucial para sustentar o crescimento, e 45% investem em novas tecnologias e automação de processos para otimizar suas operações.

Em termos de cultura organizacional, 27% dos empresários consideram a melhoria contínua e a criação de uma cultura de excelência como essenciais para o crescimento a longo prazo.

“Os resultados deste Barómetro demonstram que, num contexto de incerteza económica e instabilidade política, as empresas portuguesas continuam a demonstrar uma notável capacidade de adaptação. A chave para a competitividade reside na conjugação de três fatores essenciais: eficiência operacional, inovação tecnológica e uma cultura de melhoria contínua. Mais do que reagir às mudanças, é fundamental antecipá-las e transformar desafios em oportunidades de crescimento sustentável.”, afirma António Costa, CEO do Kaizen Institute.

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