Empresários pedem aposta na literacia digital para pequenos agricultores moçambicanos

Empresários moçambicanos pediram hoje acesso a sistemas de informação e educação para os pequenos produtores, defendendo serem essenciais para facilitar a transformação digital no setor agrícola em Moçambique.

Executive Digest com Lusa

Empresários moçambicanos pediram hoje acesso a sistemas de informação e educação para os pequenos produtores, defendendo serem essenciais para facilitar a transformação digital no setor agrícola em Moçambique.

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Mohamed Zameer Adam, do pelouro de Transformação Digital na Confederação das Associações Económicas de Moçambique, que falava hoje no painel sobre “Transformação Digital: fator para impulsionar a competitividade da cadeia de valor do agronegócio”, na 21.ª edição da Conferência Anual do Setor Privado, defendeu a introdução de serviços que melhorem a informação aos agricultores, nomeadamente sobre tempestades ou pragas, ou mesmo para sua educação.


Intervindo no maior fórum moçambicano de diálogo entre os setores privado e público, Mohamed Adam sugeriu a introdução de plataformas digitais no setor agrário, permitindo a digitalização e registo da atividade como produtor local.


“Isto vai permitir que depois os bancos ou agências de financiamento consigam dar financiamento a estes agricultores ou empresas de agricultura”, explicou.


O presidente da Associação Moçambicana de ‘Fintech’, que congrega os sistemas financeiros, João Gaspar, admitiu desafios para os bancos concederem empréstimos aos pequenos produtores, por não possuírem mecanismos fiáveis para o reembolso.

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“Não há estimativa de vendas, não têm registos eletrónicos na sua produção, não têm registos do próprio pagamento nem das compras que fazem quando compram os insumos e os seus produtos. Portanto, estão completamente fora do sistema de informação”, apontou João Gaspar.


“Enquanto não trouxermos sistemas de informação para este agricultor, para ele poder estar, digamos, digitalizado em termos dos seus processos de fabrico e dos seus processos de produção, nós não ganhamos, de facto, aquilo que é a palavra-chave nisto, que é a confiança e a confiança é válida para tudo, é válida para quem compra e quem vende e é válida para os serviços financeiros poderem dar crédito”, acrescentou.


Para o presidente da Fintech, se o país conseguir dispor de sistemas de informação e digitalizar o setor da agricultura poderá assegurar a confiança entre os pequenos produtores e os financiadores.


O presidente da Agência de Transformação Digital e Inovação , Adilson Gomes, citando dados do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas moçambicano, avançou que 70% da população moçambicana vive da agricultura, lamentando que o setor contribua somente com 25% para a economia nacional, o que associou à fraca capacidade de identificação dos cidadãos pelo Estado.


“Vinte e cinco milhões na nossa população não estão identificados. Então, precisamos de garantir a identidade dos nossos cidadãos. Precisamos de assegurar que toda a cadeia esteja ligada. Precisamos de garantir que ele consiga produzir, consiga saber aonde vender, como transportar e fazer toda esta cadeia”, disse.

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O responsável da agência defendeu investimento na introdução de tecnologias acessíveis aos produtores locais no setor agrário, reconhecendo que, por si só, essa não será a solução para o “dilema” que afeta a agricultura moçambicana.


“Temos que colocar todas as ‘startups’ criativas no mundo com soluções criativas. Se não tratarmos dessa parte, de como é que eu entrego um serviço digital ao cidadão que não sabe ler e escrever, nem lidar com aquela tecnologia, então ali é que está o nosso grande dilema”, concluiu.  


 


VIYS/PME // MLL

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