Empresários da restauração «dispostos a tudo» admitem greve de fome

Os empresários do setor da restauração encontram-se em protesto em Lisboa, junto à Assembleia da República, numa luta por mais apoios e menos restrições.

Simone Silva

Os empresários do setor da restauração encontram-se esta quarta-feira num protesto em Lisboa, junto à Assembleia da República, numa luta por mais apoios e menos restrições. Em declarações à ‘SIC Notícias’ um dos manifestantes garantiu estar «disposto a tudo», até a fazer greves de fome.

«Estamos dispostos a tudo», disse um dos manifestantes, que assumiu começar uma greve de fome ainda hoje. «Qual é a diferença entre morrer de fome daqui a 5 meses ou hoje? A greve de fome é exatamente isso e nós vamos passar fome daqui a três ou quatro meses, porque se o Governo está à espera de uma retoma vai retomar com o que? Com que empresas? Praticamente nenhuma», refere.

«É preciso começar a agir já e se nós tivermos de ficar aqui parados, sem dormir, sem comer, faremos», garantiu o mesmo empresário, que se mostra determinado e sublinha que enquanto os apoios não forem concedidos a luta não vai parar.

Um outro empresário presente na manifestação desta quarta-feira refere à estação televisiva que «não precisa de apoios mas sim de trabalho». «Eu não quero apoios nenhuns, eu queria era clientes, queria poder trabalhar, que me dessem essa liberdade».

«Graças a Deus não penso em fechar portas, o que também não quero pensar é em despedir algum empregado meu, isso é que é muito difícil para mim», afirma acrescentando: «Tenho dez empregados, o restaurante é a nossa casa, tenho conseguido continuar a trabalhar,  mas noto que já tenho empregados a mais», assume.

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O movimento «Sobreviver a pão e água», que hoje se manifesta em Lisboa, abrange empresários e profissionais de vários setores afetados pelas medidas impostas em virtude do regime do novo estado de emergência, de entre os quais restaurantes, bares, discotecas, organizadores de eventos, músicos, atores, fornecedores e produtores, entre outros.

Para atenuar as dificuldades sentidas, os empresários exigem a adoção de um conjunto de 16 medidas, entre as quais a atribuição de apoios imediatos a fundo perdido, aos bares e discotecas, eventos, restauração e comércio, pela redução de horário, bem como, a todos os fornecedores diretos e indiretos.

Pede-se ainda a reposição dos horários de restaurantes, bares e comércio local e defende-se a isenção da Taxa Social Única (TSU), a redução no pagamento das rendas e do IVA determinando o pagamento automático em seis prestações.

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Os empresários exigem igualmente a abertura imediata e injeção direta nas empresas, sem a contrapartida de ter os pagamentos às Finanças e à Segurança Social em dia, e de defendem o acesso dos sócios-gerentes ao lay-off.

O movimento quer também o reforço imediato das linhas de crédito, retirando limitação de acessos às novas linhas a quem já recorreu às linhas anteriores, a isenção de impostos nas rendas dos imóveis arrendados, durante o período de proibição de exercício da atividade e prolongamento dos contratos de arrendamento, com duração de mais de três anos.

Por outro lado, pede-se a anulação de multas por pagamento atrasado de impostos e o prolongamento dos apoios da Segurança Social aos trabalhadores independentes.

«Há oito meses (março 2020), muitos de nós encerramos os nossos estabelecimentos dias antes do governo o decretar, por uma questão de saúde pública e com o intuito de proteger não só os nossos clientes, mas também os nossos colaboradores», referem numa nota enviada à imprensa.

Os contestatários sublinham que depois de dois meses o Governo decidiu implementar restrições, que os fez concluir «que estar encerrados durante esse longo período de nada nos serviu», dizem, acrescentando: «Restaurantes, cafés, teatros, salas de espetáculo a trabalhar a 50% da capacidade, bares e discotecas encerrados por completo, assim como todos os fornecedores afetos a esta área, a trabalharem com quebras na faturação na ordem dos 90%», criticam.

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«Como é possível um negócio, estando fechado, e sem data de abertura prevista, poder fazer uma gestão eficaz dos seus recursos e ao mesmo tempo suportar encargos como água, energia, renda, impostos, empregados, internet, telefone, sistemas de faturação, contas correntes com fornecedores a entrarem em litígio, etc?», questionam, exigindo uma mudança.

Na mesma nota os empresários dizem ter pensado inicialmente «que tudo iria voltar ao normal em breve», mas garantem: «Nunca estivemos tão enganados. Entretanto, as contas acumulam-se e o duradouro silêncio do Estado é avassalador».

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