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Emissões globais de dióxido de carbono caíram 8,8% na primeira metade do ano

As emissões globais de dióxido de carbono (CO2) caíram 8,8% no primeiro semestre do ano, devido às restrições à circulação e à atividade económica no âmbito da pandemia. A covid-19 teve mais impacto na redução das emissões do que a Segunda Guerra Mundial, de acordo com um novo relatório publicado esta quarta-feira.

Os vários confinamentos em todo o mundo e a consequente recessão económica reduziram as emissões de dióxido de carbono em 1,6 mil milhões de toneladas de Janeiro a Junho.

O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, baseou-se na análise por mais de 40 cientistas de dados em tempo real, incluindo o consumo de eletricidade, voos e produção industrial.

O decréscimo das emissões refletiu-se numa contração da produção económica global, que se espera que caia 4,4% este ano, segundo o FMI, o pior valor desde a Grande Depressão dos anos 30.

“A pandemia está a ter impacto nas atividades humanas e, por sua vez, na utilização de energia e nas emissões de dióxido de carbono”. “O principal resultado é uma diminuição abrupta de 8,8% nas emissões globais de CO2 no primeiro semestre de 2020, em comparação com o mesmo período em 2019”, lê-se no resumo da publicação.

De facto, “a magnitude deste decréscimo é maior do que durante as anteriores recessões económicas ou a Segunda Guerra Mundial”, sublinha o estudo.

No entanto, o relatório mostra que as emissões começaram a aumentar a partir do desconfinamento, particularmente na China, que aliviou as restrições da covid-19 muito antes do que a Europa e os Estados Unidos.

“No dia 1 de Julho, os efeitos da pandemia sobre as emissões globais diminuíram à medida que as restrições ao confinamento foram atenuadas e algumas atividades económicas recomeçaram, especialmente na China e em vários países europeus, mas persistem diferenças substanciais entre países, com declínios contínuos das emissões nos EUA, onde os casos de coronavírus ainda estão a aumentar substancialmente”, lê-se ainda.

Durante os meses de Julho e Agosto, as emissões da China foram 2,7% superiores às do mesmo período do ano passado, uma vez que a atividade económica normal regressou.

No Reino Unido, as emissões durante estes dois meses foram apenas 1% inferiores aos níveis do ano anterior, enquanto os EUA tiveram menos 11,6%  de emissões durante esse período.

A maior queda durante o primeiro semestre do ano veio dos transportes terrestres e da aviação, enquanto a utilização de energia doméstica registou um aumento muito ligeiro durante o confinamento à medida que mais pessoas ficavam em casa.

Globalmente, o consumo de energia diminuiu no primeiro semestre do ano.

Um número crescente de países comprometeu-se a reduzir as emissões para perto de zero até meados do século, numa tentativa de limitar o aquecimento global até 2ºC – o objetivo do acordo climático de Paris.

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