Emissões de dióxido de carbono a caminho do segundo maior aumento anual da história, alerta AIE

A subida deve ficar apenas atrás da recuperação massiva de há 10 anos, após a crise financeira, deitando abaixo as expectativas de combate às alterações climáticas, a menos que os governos ajam rapidamente.

Simone Silva

As emissões de dióxido de carbono devem registar este ano o segundo maior aumento anual da história, à medida que as economias globais investem dinheiro em combustíveis fósseis para recuperar da Covid-19, avança o ‘The Guardian’.

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A subida deve ficar apenas atrás da recuperação massiva de há 10 anos, após a crise financeira, deitando abaixo as expectativas de combate às alterações climáticas, a menos que os governos ajam rapidamente, alertou a Agência Internacional de Energia (AIE).

O uso crescente de carvão, o combustível fóssil mais poluente, na eletricidade, está a causar o aumento das emissões, sobretudo na Ásia, mas também nos Estados Unidos. A recuperação do carvão causa particular preocupação porque surge apesar da queda nos preços da energia renovável, que agora é mais barata do que o carvão.

Fatih Birol, diretor executivo da AIE considera esta situação «chocante e muito perturbadora. Por um lado, os governos dizem atualmente que a mudança climática é a sua prioridade. Mas, por outro lado, estamos a assistir ao segundo maior aumento de emissões da história. É realmente dececionante», disse em declarações ao ‘The Guadian’.

As emissões têm de ser reduzidas em 45% nesta década, se o mundo quiser limitar o aquecimento global a 1,5 graus, tal como estabelecido no acordo de Paris, alertaram os cientistas. Isso significa que 2020 deve ser a década em que o mundo muda de rumo, antes que o nível de carbono na atmosfera aumente ao ponto de não ser possível evitar níveis perigosos de aquecimento.

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No entanto, a escala da atual recuperação das emissões, devido à crise de saúde pública da Covid-19, mostra que «o nosso ponto de partida definitivamente não é bom», alertou Birol ao jornal britânico.

O responsável comparou o atual aumento das emissões à crise financeira de 2010, quando as emissões aumentaram mais de 6% depois de os países terem tentado estimular as suas economias, através de energia de combustível fóssil barata. «Parece que voltámos a repetir os mesmos erros», disse. «Estou mais desiludido desta vez do que em 2010», acrescentou.

As emissões caíram cerca de 7% a nível global no ano passado, uma descida recorde impulsionada pelos bloqueios que se seguiram ao surto da Covid-19. Contudo, no final do ano, os valores já verificavam uma recuperação, a caminho de ultrapassar os níveis de 2019 em algumas zonas do mundo.

As projeções da AIE para 2021 mostram que as emissões provavelmente terminarão este ano ainda ligeiramente abaixo dos níveis de 2019, mas num caminho crescente. No próximo ano, pode haver aumentos ainda mais expressivos com a retoma das viagens aéreas, acrescentou Birol. A aviação normalmente contribui com mais de 2% das emissões globais, mas esteve quase ausente no ano passado.

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