“Em Portugal, a IA está a ganhar velocidade, mas nem sempre acompanhada pela preparação das pessoas”, diz o Head of Human Capital da Aon Portugal

A esmagadora maioria das empresas portuguesas acredita que a Inteligência Artificial (IA) terá um impacto positivo nos negócios, criando novas oportunidades e exigindo novas competências.

André Manuel Mendes

 

A esmagadora maioria das empresas portuguesas acredita que a Inteligência Artificial (IA) terá um impacto positivo nos negócios, criando novas oportunidades e exigindo novas competências. No entanto, a velocidade da adoção tecnológica continua a superar a preparação das organizações e dos colaboradores para esta transformação.

A conclusão é do mais recente Human Capital Trends Study da Aon, que revela que 98% das organizações em Portugal consideram que a IA irá gerar novas oportunidades nas suas áreas de atividade e obrigar ao desenvolvimento de novas competências. O valor coloca Portugal 12 pontos percentuais acima da média global, fixada nos 86%.

O estudo mostra também que 72% das empresas nacionais já implementaram ou estão a testar soluções de Inteligência Artificial, um número praticamente alinhado com a média mundial de 73%, demonstrando que a tecnologia já faz parte da realidade da maioria das organizações.

Contudo, a preparação dos colaboradores para esta mudança continua a revelar fragilidades. Segundo o relatório, em 17% das empresas portuguesas nenhum trabalhador participou em iniciativas de requalificação ou capacitação em IA nos últimos 12 meses.

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“Os dados mostram que, em Portugal, a IA está a ganhar velocidade, mas nem sempre acompanhada pela preparação das pessoas. O verdadeiro desafio não está na tecnologia, está na forma como capacitamos quem a usa. É aí que se ganha ou se perde valor”, afirma Nuno Abreu, responsável de Human Capital da Aon Portugal.

A escassez de profissionais com competências em Inteligência Artificial surge como outro dos principais obstáculos identificados pelas organizações. Apenas 24% das empresas portuguesas considera conseguir recrutar e reter talento especializado nesta área, um valor semelhante ao observado a nível global.

Perante esta dificuldade, o estudo conclui que a aposta na formação interna e no desenvolvimento de competências dos atuais colaboradores será determinante para reduzir o fosso entre a ambição tecnológica das empresas e a sua capacidade efetiva de execução.

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Apesar das preocupações frequentemente associadas ao impacto da IA no emprego, 84% das organizações portuguesas acreditam que a tecnologia irá automatizar determinadas tarefas, mas não eliminar a necessidade das funções existentes. A tendência aponta para uma transformação das competências exigidas e das atividades desempenhadas, mais do que para uma substituição generalizada de postos de trabalho.

 

Empresas portuguesas atrás da média global

O estudo identifica ainda desafios na gestão estratégica do capital humano. Apenas 30% das organizações portuguesas afirma possuir um elevado nível de maturidade na utilização de dados de Recursos Humanos, abaixo dos 38% registados globalmente.

Esta limitação poderá dificultar a tomada de decisões relacionadas com talento, remuneração, benefícios, desenvolvimento de competências e planeamento organizacional, numa altura em que os dados assumem um papel cada vez mais relevante na gestão das pessoas.

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Também a proposta de valor para os colaboradores continua a ser uma área com margem de progressão. Apenas 17% das empresas nacionais afirma ter uma proposta de valor para os colaboradores claramente definida e compreendida pelas equipas, ligeiramente abaixo da média global de 19%.

Para Nuno Abreu, as organizações que conseguirem alinhar a adoção tecnológica com estratégias sólidas de desenvolvimento de talento estarão melhor posicionadas para transformar a atual revolução tecnológica em ganhos de desempenho e competitividade.

O Human Capital Trends Study da Aon reuniu as respostas de 2.361 administradores, líderes empresariais e responsáveis de recursos humanos de 62 países, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.

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