Os processos de despejo pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) em curso, em contexto de pandemia, agora declarada pela Organização Mundial de Saúde, tornam-se “um problema duplamente sério”, na ótica da Associação Habita, citada pela RTP.
Quanto a soluções, a Habita apresenta um conjunto de propostas que suspendam de forma imediata os despejos na zona da Grande Lisboa, e sublinham a possibilidade de avançar com uma requisição civil de hotéis.
Segundo explica Rui Viana Pereira, membro da associação Habita, a requisição civil dos hotéis privados, para servirem de alojamento em quarentena, só se irá justificar se a situação provocada pelo Covid-19 for agravada.
“Esta medida deverá aplicar-se a todos os casos em que se trata de uma quarentena simples, na qual a intervenção direta dos hospitais não seja necessária, de modo a evitar o esgotamento das instalações hospitalares”, reforça.
De acordo com um membro da Habita, a indústria hoteleira e a saúde privada possuem uma dívida social e “está na hora de a hotelaria e a saúde privada pagarem a divida social”.
Importa recordar que a CML está a despejar dezenas de famílias em vários bairros sociais sem a possibilidade de construírem abrigos provisórios. Os despejos começaram no Bairro Alfredo Bensaúde, após se terem intensificado os alarmes sobre a epidemia do novo coronavírus.
A associação critica a medida tomada pela CML por considerar que assim “as pessoas ficam ainda mais expostas ao contágio” do novo coronavírus, e vem exigir que o Estado proceda a devolução das casas às famílias expulsas e que sejam ressarcidas com bens indispensáveis aos cuidados de saúde e prevenção.






