Elite militar brasileira diz que vem aí uma guerra Brasil-França

Um relatório do Ministério da Defesa brasileiro diz que França constitui a principal ameaça contra o Brasil e aponta para o perigo de uma guerra entre os dois países em menos de duas décadas.

De acordo com o documento, seria em 2035 que Paris apoiaria a independência dos povos indígenas Yanomami e pediria a intervenção da Organização das Nações Unidas, destacando tropas ao longo dos mais de 700 quilómetros de fronteira que França divide com o Brasil na Guiana Francesa, um território ultramarino.

O relatório de 45 páginas, intitulado Opções de Defesa 2040, a que a “Folha de São Paulo” teve acesso, foi feito durante o segundo semestre do ano passado pela Escola Superior de Guerra do Brasil, com base em 500 inquéritos a oficiais e altos quadros militares para definir a estratégia de defesa do país para as próximas duas décadas.

Em reacção ás conclusões do relatório, a embaixada francesa saudou a «imaginação sem limites dos autores deste estudo», realçando que o Brasil é o principal parceiro estratégico da França na América Latina.

No ano passado, recorde-se que o chefe de Estado francês apelou para que os incêndios na Amazónia fossem discutidos na cimeira do G7, que decorreu em Agosto em França. «A nossa casa está a arder. Literalmente. A floresta amazónica, o pulmão que produz 20% do oxigénio do nosso planeta, está em chamas. É uma crise internacional. Membros da cimeira do G7, vamos discutir esta emergência de primeira ordem em dois dias», pediu Emmanuel Macron na rede social Twitter.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território que pertence à França). O número de incêndios no Brasil cresceu 70% em 2019, face ao período homólogo, sendo que a Amazónia foi a mais afectada.

O documento não antecipa nenhum foco de tensão militar com a Argentina, que historicamente é o principal rival do Brasil. Mas prevê que dentro de 15 anos o país vizinho terá encontrado estabilidade económica. Por outro lado, crê que a China venha a instalar uma base militar para projectos espaciais na Patagónia em 2034.

A crise com França baseia-se na hipótese de que a América Latina se terá tornado um continente sem conflitos geopolíticos. O estudo aponta ainda que o Brasil actuará como pacificador dos principais conflitos regionais, como o confronto entre Chile e Bolívia ou a tensão entre a Colômbia e a Venezuela.

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