Elétricos, HVO e bioGNL: as alternativas ao gasóleo já estão na estrada, mas a transição será gradual

Eletrificação começou a ganhar expressão em 2015, quando entrou em circulação o primeiro camião elétrico na Europa, em Munique

Automonitor

Mais de 96% dos camiões em circulação na Europa continuam a funcionar a gasóleo, apesar do crescimento da eletrificação e do aparecimento de combustíveis alternativos de baixas emissões. A conclusão é destacada pela Eurowag, que refere que o gasóleo continua a ser, de longe, o combustível dominante no transporte rodoviário de mercadorias.

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Em comunicado, a empresa explica que esta realidade resulta de uma evolução iniciada após a II Guerra Mundial, quando os motores a gasóleo substituíram progressivamente os camiões a gasolina graças à sua maior eficiência, menor consumo, maior binário para transportar cargas pesadas e custos operacionais mais reduzidos.

Segundo a Eurowag, a eletrificação começou a ganhar expressão em 2015, quando entrou em circulação o primeiro camião elétrico na Europa, em Munique. Ainda assim, os veículos elétricos representam atualmente apenas cerca de 0,3% da frota europeia de camiões. A Dinamarca é uma das exceções, com cerca de um em cada 50 camiões já movido exclusivamente a eletricidade.

Além dos veículos elétricos, a empresa destaca que têm vindo a surgir outras alternativas para reduzir as emissões do transporte rodoviário. Entre elas está o HVO (óleo vegetal hidrogenado), um combustível renovável produzido a partir de óleos alimentares usados e gorduras vegetais, que pode ser utilizado em muitos motores a gasóleo sem necessidade de alterações mecânicas.

A marca sublinha, no entanto, que o HVO não deve ser confundido com o biodiesel B100. Apesar de ambos serem combustíveis renováveis, têm processos de produção e características técnicas diferentes, sendo que o B100 pode exigir adaptações em alguns motores e apresentar maiores limitações em temperaturas mais baixas.

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Outra solução apontada é o bioGNL, produzido a partir de biomassa renovável. Segundo a Eurowag, cerca de 2.500 dos aproximadamente 15.000 camiões a GNL atualmente em circulação na Europa já utilizam este combustível. Ainda assim, recorda que o bioGNL e o GNL convencional são combustíveis distintos, uma vez que este último é produzido a partir de gás natural.

A empresa considera que a descarbonização do transporte pesado será inevitavelmente um processo gradual. Em comunicado, refere que a idade média dos camiões na União Europeia ronda os 14 anos, ultrapassando mesmo os 20 anos em alguns países, o que limita o ritmo de renovação das frotas.

A Eurowag alerta ainda para o risco de surgir uma descarbonização “a duas velocidades” na Europa. Segundo um inquérito realizado pela empresa em 2025, os transportadores consideram a redução das emissões uma prioridade, mas alertam que a falta de infraestruturas e de acesso a combustíveis de baixo carbono poderá penalizar sobretudo as empresas da Europa Central e de Leste face aos mercados da Europa Ocidental.

Perante este cenário, a empresa afirma estar a expandir a sua rede europeia de abastecimento para incluir combustíveis alternativos, como bioGNL, bioGNC e HVO, bem como soluções de descarbonização destinadas a facilitar uma transição gradual para um transporte rodoviário com menores emissões de carbono.

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