Eletricidade 4.0: a rota mais rápida para um mundo com emissões zero

Por Victor Moure, Country Manager da Schneider Electric Portugal

Neste momento, todos discutimos formas para avaliar e reduzir o nosso consumo de energia – isto acontece nas nossas casas, nas empresas onde trabalhamos e em organizações por todo o mundo. É um momento crítico para ajudarmos o planeta, pelo que é dever de todos encontrar a melhor forma de fazer a transição para um mundo descarbonizado, mais sustentável e elétrico.

De facto, sabe-se que atualmente a energia é responsável por mais de 80% de todas as emissões de CO2 e que 60% dela é desperdiçada. Como tal, precisamos de a tornar mais verde e inteligente – por outras palavras, mais “elétrica”.

Contudo, uma das grandes dificuldades desta necessidade de eletrificação é passarmos de um modelo onde há oferta ilimitada de diferentes fontes de energia, tanto fósseis como nucleares, para uma realidade onde pode não haver energia renovável suficiente para dar resposta à procura.

Para que esta transição resulte, precisamos de uma rede que seja resiliente e inteligente, que assegure a continuidade de serviço e seja flexível para poder adaptar a procura à oferta.

Acredito, portanto, que será necessário levar a cabo esta mudança de forma gradual e planeada, guardando lugar para um período de transição. Felizmente, já assistimos à criação de comunidades energéticas, onde figura um regulador da procura, cujo papel é servir de intermediário entre as operadoras elétricas e os utilizadores finais que estão a gerar energia. Quando registam um excedente de produção de energia, estes últimos comunicam-na ao regulador que, por sua vez, verá onde é que ela poderá ser necessária e aplicada – é uma excelente solução para colmatar as questões de abastecimento e procura.

 

Tornar a energia verde e inteligente

É, portanto, ponto assente que atingir a independência energética passa por maiores eletrificação, eficiência energética e digitalização. Esta tríade permitirá reduzir a procura de energia, enquanto substituímos os combustíveis fósseis por energias renováveis.

Por um lado, a eletricidade é a forma mais eficiente de energia: é mais limpa e uma alternativa cada vez mais rentável. No que toca à eficiência energética, esta não se resume apenas à colocação de painéis solares nas casas ou de alterações a nível de design; a sua consecução tem um potencial tão importante quanto as energias renováveis e merece a nossa atenção. Finalmente, a digitalização permite tornar visíveis desperdícios de energia que é urgente combater e que seriam, de outra forma, invisíveis para nós. Com softwares inteligentes é possível monitorizar as casas, os escritórios, os Data Centers, as fábricas e outras infraestruturas, no sentido de avaliar os consumos energéticos e evitar desperdícios.

 

O poder dos dados e da informação para permitir esta transição

Uma melhor gestão de energia passa por fazer uma melhor utilização da informação que temos disponível, seja numa fábrica, num hotel ou noutro tipo de instalação. Tal não é possível sem tirarmos partido dos dados que temos disponíveis para tirar conclusões e aplicar mudanças e melhorias.

Podemos saber o que estamos a consumir na fatura, mas só com dados poderemos aproveitar todo o potencial para gerir o que consumimos em tempo real. A eficiência energética pode ser digital, mas tem de ser também capaz de criar soluções de poupança energética.

Os dados são importantes porque nos dão contexto e informações que nos permitem tomar decisões e ações em tempo real. Para além disso, geram conhecimento, que se torna na coluna vertebral que sustenta as nossas operações. Sem dados não seremos capazes de assegurar uma eficiência energética resiliente, flexível e segura.

 

A Eletricidade 4.0: o caminho a seguir

A Eletricidade 4.0 é a solução mais equilibrada para conseguir um mundo elétrico e digital que nos permita combater a atual crise climática. Se a eletricidade é a energia mais eficiente e o melhor vetor para a descarbonização, deve ser a solução escolhida pelas organizações, os edifícios e os Governos para conseguirem atingir as suas metas de emissões líquidas zero até 2050.

Em paralelo, a tecnologia e a digitalização são ferramentas essenciais nas quais temos de nos apoiar para tornar o invisível visível, eliminar o desperdício e impulsionar a eficiência energética. Através de medição e monitorização constantes, estaremos capacitados para ver e melhorar a forma como utilizamos a nossa energia. Com softwares inteligentes, conseguimos aplicá-la de forma mais eficiente, fazer um consumo otimizado e até poupar.

Uma gestão mais inteligente da energia, conseguida através de tecnologia digital e dados, é imprescindível para equilibrar a oferta e a procura e distribuir a energia de forma mais eficiente. Esta combinação de eletricidade e digital é, em suma, a Eletricidade 4.0, e é a nossa rota mais rápida para um mundo de emissões líquidas zero.

 

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