O fenómeno climático El Niño formou-se no Pacífico tropical e deverá tornar-se “muito forte”, com um período prolongado de temperaturas acima da média, avança o ’20 Minutos’ com base num alerta da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.
A NOAA prevê que o fenómeno se intensifique de um nível moderado para forte no outono e estima em 63% a probabilidade de as temperaturas da superfície do mar na zona de impacto do Pacífico ultrapassarem em mais de 2 graus Celsius os valores normais.
Um fenómeno que aquece o Pacífico
A formação do El Niño é declarada quando as temperaturas no Pacífico equatorial se mantêm 0,5 graus Celsius acima da média durante vários meses consecutivos. O fenómeno está associado a águas mais quentes do que o normal no Pacífico e a ventos de oeste mais fortes.
A Organização Meteorológica Mundial alerta que o regresso do El Niño poderá “jogar lenha na fogueira de um mundo que já está a aquecer”, numa altura em que várias regiões enfrentam temperaturas acima da média e episódios extremos cada vez mais frequentes.
Mais calor, seca e tempestades
Nos países sob maior influência do El Niño, como os Estados Unidos, a NOAA antecipa condições mais secas e um inverno mais quente do que o normal. Ainda assim, o fenómeno também pode favorecer mais tempestades na parte sul do país.
Os ventos associados ao El Niño aumentam a probabilidade de ciclones tropicais no Pacífico, mas reduzem a probabilidade de furacões no Atlântico. Para a atual temporada atlântica, a NOAA previu quatro ciclones nomeados, incluindo seis furacões, um valor abaixo da média histórica.
No Pacífico, pelo contrário, a atividade ciclónica deverá ficar acima da média, com 15 a 22 tempestades nomeadas.
Risco de cheias e impactos ambientais
A agência americana alerta ainda para um risco acrescido de inundações provocadas por tempestades, em particular ao longo da costa oeste dos Estados Unidos.
Além do impacto meteorológico, o El Niño pode alterar padrões de migração de peixes e favorecer a formação de florações de algas nocivas, com possíveis consequências para ecossistemas marinhos e atividades económicas ligadas ao mar.
O regresso do fenómeno ocorre numa altura em que os Estados Unidos enfrentam a primeira onda de calor antecipada do verão, com temperaturas acima da média previstas na maioria dos estados e valores superiores a 37 graus Celsius.
A NOAA já tinha previsto, em março, que a seca que afetava mais de metade dos Estados Unidos se prolongaria durante a primavera, acompanhada por temperaturas historicamente acima da média em quase todo o país entre abril e junho.













