El Niño baixa previsão de furacões para 2026 — mas especialistas alertam para grandes tempestades no Atlântico

A época, que decorre entre 1 de junho e 30 de novembro, apresenta também probabilidades mais baixas de impactos diretos

Francisco Laranjeira

A pouco mais de mês e meio do arranque oficial da temporada de furacões no Atlântico, as primeiras previsões apontam para um ano potencialmente mais tranquilo — ainda que longe de riscos nulos.

A equipa da Universidade Estatal do Colorado (CSU), uma das principais referências em previsões sazonais, estima que 2026 poderá registar uma atividade próxima ou ligeiramente abaixo da média histórica, indicou o site ’20 Minutos’. Os dados apontam para 13 tempestades nomeadas, das quais seis poderão evoluir para furacões e duas atingir grande intensidade.

Os números ficam aquém da média climatológica — que ronda 14 tempestades, sete furacões e três de grande intensidade — mas os especialistas deixam um aviso claro: estas previsões iniciais não são definitivas. “A previsão visa fornecer a melhor estimativa da atividade de furacões no Atlântico durante a próxima temporada e não é uma medida exata”, sublinha a equipa.

A época, que decorre entre 1 de junho e 30 de novembro, apresenta também probabilidades mais baixas de impactos diretos. A possibilidade de um furacão de grande intensidade atingir a costa dos Estados Unidos está abaixo da média histórica de 43%, enquanto o risco para o Caribe ronda os 35%, também inferior ao habitual.

Apesar disso, os meteorologistas alertam para a elevada incerteza. A atividade ciclónica tende a concentrar-se entre agosto e outubro, mas fatores atmosféricos e oceânicos podem alterar significativamente o cenário ao longo dos meses. Phil Klotzbach, investigador principal do estudo, destaca precisamente essa variabilidade: as previsões feitas no início de abril estão frequentemente sujeitas a mudanças relevantes.

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Um dos elementos centrais para compreender esta possível moderação é o El Niño. Este fenómeno climático, que poderá desenvolver-se durante o verão, tende a dificultar a formação de ciclones no Atlântico, ao intensificar os ventos de oeste e criar condições menos favoráveis à intensificação das tempestades.

Ainda assim, o seu impacto não é absoluto. Em anos recentes, outros fatores acabaram por contrariar esse efeito, permitindo temporadas mais ativas do que o esperado. Entre esses fatores estão as temperaturas da superfície do mar, que continuam a desempenhar um papel determinante.

Atualmente, o Atlântico apresenta um padrão irregular: águas mais quentes no setor ocidental, sobretudo junto ao Caribe, e temperaturas ligeiramente mais baixas no Atlântico central e oriental. Esta combinação pode alimentar episódios de intensificação rápida, aumentando o potencial destrutivo de algumas tempestades, mesmo num cenário globalmente mais calmo.

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Os dados históricos ajudam a contextualizar. Em 2025, a atividade ficou próxima da média, com apenas uma tempestade tropical a atingir os Estados Unidos. Já em 2024, o cenário foi significativamente mais severo, com vários furacões a atingir território americano e a provocar centenas de vítimas.

A previsão agora divulgada constitui apenas um primeiro retrato da época de 2026. A estimativa oficial da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), tradicionalmente publicada no final de maio, será determinante para confirmar — ou rever — este cenário.

Até lá, a mensagem dos especialistas mantém-se: menos tempestades não significa menos risco.

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