O estudo mais abrangente sobre o impacto económico da partilha de bicicletas na Europa revela benefícios que vão muito além da mobilidade.
» Yoann Le Petit, Thought Leadership Manager da EIT Urban Mobility
Os números impressionam: 305 milhões de euros em benefícios anuais gerados actualmente na Europa pela partilha de bicicletas, com potencial para atingir mil milhões de euros até 2030. São as conclusões do estudo mais abrangente alguma vez produzido sobre o retorno do investimento neste sector.
O relatório, elaborado pela EY para a EIT Urban Mobility e para a Cycling Industries Europe (CIE), baseia-se em mais de 60 publicações internacionais revistas por pares e entrevistas a mais de 40 funcionários públicos e operadores em toda a Europa. «A EY utilizou estas publicações para quantificar e valorizar monetariamente a relação entre a partilha de bicicletas e a qualidade do ar, a partilha de bicicletas e os empregos, a partilha de bicicletas e a produtividade», explica Yoann Le Petit, Thought Leadership Manager da EIT Urban Mobility.
A metodologia desenvolvida representa um marco: pela primeira vez, existe uma ferramenta capaz de traduzir em euros aquilo que as cidades sempre intuíram. «As cidades sempre acreditaram que a partilha de bicicletas trazia benefícios sociais e ambientais — mas, até agora, não conseguiam comprová-lo em termos financeiros», afirma Yoann Le Petit. Os dados revelam que cada euro investido gera pelo menos 1,10 euros no primeiro ano — um retorno de 10% sobre o investimento público que pode aumentar para 75% até 2030.
Os impactos estendem-se por múltiplas dimensões. Por cada 1000 bicicletas partilhadas, criam-se 14 postos de trabalho a tempo inteiro para residentes locais afastados do mercado de trabalho. O sistema devolve tempo às pessoas, evitando congestionamentos e aumentando a produtividade. Na Europa, previnem-se 1000 doenças crónicas graças à actividade física proporcionada. E cerca de 15% das viagens substituem deslocações de automóvel, reduzindo emissões de CO2 e NOx.
No Reino Unido, 50% dos utilizadores não pedalavam há mais de um ano, e 89% utilizam o serviço para fazer exercício. «O impacto social positivo da partilha de bicicletas para os cidadãos foi claro ao longo do estudo», refere o responsável da EIT Urban Mobility.
Para concretizar o cenário de mil milhões de euros anuais até 2030, o estudo identifica três condições: reforçar o apoio político para garantir financiamento a longo prazo e infra-estruturas cicláveis de qualidade; permitir a partilha flexível de bicicletas, adaptando a oferta e usando decisões baseadas em dados; e promover uma forte cultura ciclável através da integração com os transportes públicos.
Yoann Le Petit defende que a União Europeia deve integrar a partilha de bicicletas nos seus programas de transporte e coesão. «Os planos de mobilidade urbana — como a UE já exige a 420 cidades — devem incluir explicitamente a partilha de bicicletas, além do metro, autocarros e comboio», argumenta. A bicicleta partilhada assume-se assim como peça fundamental de um investimento inteligente, quantificável e com retorno comprovado.
Este artigo faz parte da edição de Outubro (n.º 235) da Executive Digest.














