Editorial – Cibersegurança. A componente estratégica para o sector financeiro

Em 2020, os ataques cibernéticos dispararam em 20%, segundo a Trend Micro, e este aumento é justificado pela pandemia e as suas consequências na sociedade. Como estão as empresas a garantir a segurança dos seus dados?

Revista Risco

Por Paulo Mendonça
Coordenador Editorial da Risco

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A cibersegurança continua na ordem do dia e soube-se em Fevereiro que uma parte da “bazuca” europeia será destinada a fortalecer esta área nas empresas. Em causa, 130 milhões de euros de fundos europeus que o Governo contempla no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para «robustecer o quadro nacional de cibersegurança e a segurança dos dados, aprofundando, de forma estruturada e integrada, a capacitação no domínio da cibersegurança».

Esta atenção dada à cibersegurança é justificada pelo Executivo através do aumento da utilização das plataformas digitais nos serviços públicos, que ficou a dever-se à pandemia de Covid-19. O objectivo é a protecção dos dados e das infra-estruturas digitais que servem de base aos serviços públicos. Dos 130 mil milhões de euros, o Governo pretende investir 83 milhões em «infra-estruturas críticas digitais eficientes, seguras e partilhadas», de forma a tornar a rede informática mais segura e «mais digital». Parte desta parcela será também destinada a «sistemas de informação e processos associados à gestão e controlo de fronteiras, cooperação policial e judiciária e asilo, permitindo reduzir a carga burocrática dos serviços do SEF»; e ainda a uma «melhoria da cobertura e capacidade» do SIRESP. Os restantes 47 mil milhões de euros servirão, diz o documento, para «reforço do quadro geral de segurança cibernética na base da confiança para a adopção dos serviços electrónicos », estando prevista a criação de um Sistema Nacional de Certificação em Cibersegurança em conformidade com as normas da União Europeia.

O aumento dos ataques de hackers durante a pandemia veio expor as vulnerabilidades dos sistemas informáticos em várias áreas, um problema que é agravado pelo teletrabalho, com muitas pessoas a acederem a dados da empresa a partir de casa, com recurso a computadores e routers que podem não ter as camadas de segurança fundamentais para impedir um acesso não autorizado.

Mas já antes a cibersegurança era uma prioridade para todo o sector financeiro. Há muito que passou o tempo em que os antivírus e as firewalls eram vistos como plataformas suficientes para proteger os sistemas informáticos. Com o avançar da tecnologia – e da sofisticação dos ataques –, as empresas têm hoje de estar protegidas com diversas camadas que vão além do software para entrar em níveis de salvaguarda muito mais complexos.

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Por outro lado, falar de cibersegurança como uma área exclusiva das TI é, também, uma abordagem limitativa e desactualizada, na medida em que os especialistas são unânimes em afirmar que o ciber-risco se tornou tão importante, que tem de passar a fazer parte dos planos estratégicos das empresas, ao nível do CEO.

Para perceber o estado em que está a cibersegurança nas empresas do sector financeiro e as novas ameaças que surgiram com o aumento da plataforma de ataque durante a actual pandemia, fomos falar com alguns dos especialistas de consultoras e empresas do sector, numa edição da Risco dedicada à cibersegurança no sector financeiro.

Editorial publicado na revista Risco n.º 20 – Primavera 2021

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