O fantasma da recessão assusta pela primeira vez em mais de uma década. Mas este não é o único desafio à espreita: segundo a Fortune, também as eleições norte-americanas e os Jogos Olímpicos estão entre os principais eventos do próximo ano. “Vai ser um ano louco”, afirma a publicação.
Economia
Olhando para a economia e para os mercados, turbulência será palavra de ordem. A Fortune considera que, apesar de uma recessão poder estar a caminho, não será tão má como outras que o mundo já enfrentou. Um estudo recente da Cleveland Fed indica que longos períodos de crescimento – como aquele que temos vivido – não são sucedidos obrigatoriamente por recessões profundas.
Por outro lado, o plano dos bancos no sentido de se apoiarem na venda de produtos de investimentos e seguros, bem como gestão de riqueza, não deverá salvá-los. A mesma publicação sublinha que a onda de cortes (mais de 50 mil despedimentos ao longo de 2019) não parará obrigatoriamente com a aposta neste tipo de soluções.
Ainda sobre bancos, mas apontando aos bancos centrais, a Fortune indica que as preocupações com o ambiente ganharão tracção: as empresas vão enfrentar maior escrutínio e pressão para revelarem a sua posição e estratégia para o combate às alterações climáticas.
No campo das taxas de juro, a tendência será… negativa. Algo que a publicação considera bizarro. No Japão e em grande parte da Europa, o padrão das taxas de depósitos está abaixo de zero, prejudicando quem poupa e beneficiando quem pede empréstimos.
Em termos de empresas, Tesla e Hudson’s Bay destacam-se nas previsões: a primeira deverá precisar de novas rondas de financiamento; a segunda – dona da Saks – prepara a compra da rival Neiman Marcus e o encerramento de um terço de cada uma das marcas que detém para evitar sobreposição.
Por fim, as previsões económicas apontam para os 60 dólares por barril de petróleo, fruto do abrandamento da procura. Apesar da oferta estar a aumentar, o mundo parece não precisar de tanto petróleo.
Tecnologia
Uma das principais previsões tecnológicas para 2020 envolve o Facebook: a empresa liderada por Mark Zuckerberg deverá “matar” a Libra. A fuga de vários parceiros e as dúvidas dos reguladores levaram o Facebook a adiar o lançamento da sua criptomoeda, mas será este adiamento eterno?
Em termos de privacidade, há pelo menos dois destaques. Por um lado, manifestantes de todo o mundo estão a aprender a enganar os sistemas de reconhecimento facial utilizados em alguns países e que permitem identificar quem protesta. Por outro, antecipa-se uma nova onda de pirataria informática relacionada com conteúdos de vídeo: a proliferação de serviços de streaming com conteúdos próprios que apenas podem ser acedidos através destas plataformas levará os consumidores a procurarem caminhos alternativos e ilegais.
Geopolítica
A Fortune prevê uma segunda Primavera Árabe à medida que as populações procuram pôr fim aos regimes autoritários – Egipto, Marrocos e Jordânia são hipóteses apontadas. Na Alemanha, a aposta vai para o colapso do CDU de Angela Merkel e do SPD, bem como para um peso mais significativo dos Verdes.
No continente africano, depois de a Nigéria se ter juntado à African Continental Free Trade Area, é expectável uma década de expansão económica. O plano passa por atrair investimento estrangeiro (nomeadamente da China) e alavancar as economias locais e transacções dentro do continente.
Quanto a Hong Kong, Carrie Lam poderá estar de saída. Terminados os protestos, a líder desta região poderá deixar o cargo, caso Pequim assim o permita.
Cultura
O primeiro ano de uma nova década pode definir o tom dos 10 anos seguintes. A afirmação é da Fortune, que aproveita este mote para indicar algumas tendências, começando pela ascensão de Tyler Perry no mundo do entretenimento: o escritor, realizador, produtor e actor está a trabalhar com a Viacom e poderá ser mesmo o grande nome do sector em 2020.
Destaque ainda para o centenário de F. Scott Fitzgerald, para os Jogos Olímpicos e para os prováveis vencedores da próxima edição dos Óscares. “Once Upon a Time in… Hollywood” é aposta da publicação para melhor filme, ao passo que Tarantino deverá levar para casa a estatueta de melhor realizador.





