O Conselho das Finanças Públicas (CFP) divulgou hoje a sua mais recente projeção económica para o período de 2025 a 2029. Embora a projeção para 2025 seja de um crescimento económico de 2,2%, acima do valor de 1,9% previsto para 2024, a previsão é revista em baixa em comparação com o relatório de setembro passado, principalmente devido a desafios impostos por alterações nas políticas dos EUA e incertezas externas.
De acordo com o CFP, o crescimento da economia portuguesa em 2025 será impulsionado por um aumento da taxa de investimento, especialmente pelo reforço do investimento público, com a expectativa de uma maior execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Contudo, as previsões para os anos seguintes indicam uma desaceleração gradual do Produto Interno Bruto (PIB), com uma expansão de 2,0% em 2026 e de 1,6% em 2027, convergindo para uma média de 1,8% nos anos seguintes.
Em relação ao mercado de trabalho, o CFP prevê que a criação de emprego desacelere para 1,0% em 2025, aproximando-se de valores nulos em 2029 devido à evolução demográfica. A taxa de desemprego deverá continuar a descer, atingindo 6,0% da população ativa no médio prazo.
Quanto à inflação, espera-se uma redução gradual da taxa de crescimento do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), passando de 2,3% em 2025 para 2,0% nos anos seguintes. O CFP também revê em baixa a projeção orçamental de médio prazo, com um saldo orçamental equilibrado para 2025, embora o cenário esteja sujeito a variações, como o grau de execução do investimento público e a evolução dos impostos.
Para os anos seguintes, a previsão aponta para défices orçamentais a partir de 2026, com um défice de 1% do PIB em 2026 e uma estabilização em torno de 0,6% do PIB até 2029. No entanto, a dívida pública deverá diminuir 9,5 pontos percentuais do PIB até 2029, atingindo 85,4% do PIB nesse ano.
O CFP alerta ainda para diversos riscos macroeconómicos, incluindo a ascensão do protecionismo, a instabilidade nos mercados financeiros e o impacto de conflitos armados, como a guerra na Ucrânia, que podem afetar tanto a economia portuguesa como a sua projeção orçamental.
Além disso, o CFP identificou vários fatores que podem penalizar o saldo orçamental, como uma possível subestimação dos custos do Complemento Solidário para Idosos após 2025, uma contribuição mais elevada de Portugal para o orçamento da União Europeia e a materialização de grandes obras públicas, como o novo aeroporto de Lisboa.
Finalmente, o CFP apresenta uma estimativa de impacto da meta de despesa de 2% do PIB em defesa, alertando que, se alcançada até 2029, esta medida poderá aumentar o défice orçamental em 0,6% do PIB e agravar o rácio da dívida pública em 1,3% do PIB.







