É verdade que fumar previne e combate a Covid-19? Os esclarecimentos de um especialista

A nicotina é, afinal, uma arma eficaz contra o novo coronavírus? A hipótese foi levantada em França e a notícia correu mundo.

Executive Digest

A nicotina é, afinal, uma arma eficaz contra o novo coronavírus? A hipótese foi levantada em França e a notícia correu mundo.

Em causa estará um novo relatório francês, feito com base na análise a 400 pacientes que testaram positivo para a Covid-19. «Entre esses pacientes, apenas 5% eram fumadores», disse à Agência “France-Press” (AFP) professor de medicina interna Zahir Amoura, autor deste estudo, que ainda não foi publicado.

Este número, acrescentou Amoura, equivale a «80% menos fumadores entre pacientes da Covid-19 do que entre a população geral do mesmo sexo e idade».

O médico Jean-Pierre Changeaux, do Instituto Pasteur, disse à “AFP” que o que explicaria este fenómeno é o facto de nicotina impedir, ou reter, o coronavírus de se fixar no receptor celular «que ele normalmente utiliza», evitando, deste modo, que penetre nas células e se espalhe pelo organismo.

Contudo, em entrevista à rádio “Observador”, Jaime Nina, infecciologista do hospital Egas Moniz, em Lisboa, disse que é «muito fumo», mas «se há fogo ou não ainda não se sabe».

Continue a ler após a publicidade

Questionado sobre a possibilidade de a nicotina consegue bloquear o vírus, o também professor no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa, considerou que o artigo é «altamente especulativo». «Não está estudado de maneira nenhuma», insiste, defendendo, ainda assim, que «vale a pena estudar tudo, até as hipóteses mais estapafúrdias».

Sobre o que se sabe, para já, «é uma hipótese que, por enquanto, está no papel», lembrou. «Se, de facto, isto se confirmar, é importante. A probabilidade de isso acontecer… Na minha opinião, a partir dos dados que estão disponíveis, é muito pequena», admitiu o médico.

«Ainda estamos a meio da epidemia… Mas, provavelmente, quando chegarmos ao fim do ano, se fizermos as contas todas, mesmo os países mais atingidos pela Covid, como a Bélgica, Itália ou Espanha, vão ter muito mais mortos pelo tabaco do que pela Covid», sublinhou Jaime Nina.

Continue a ler após a publicidade

Portugal regista já 22.353 casos de infecção pelo novo coronavírus, mais 371 do que ontem, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado nesta quinta-feira, que dá conta de 820 vítimas mortais (+35).

O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».

A pandemia de Covid-19 já matou 183 mil pessoas e ultrapassou os 2,6 milhões de infectados em todo o mundo, desde que surgiu em Dezembro na China, segundo um balanço da “Agence France-Press”, às 11 horas, a partir de dados oficiais. Pelo menos 696.700 pessoas foram consideradas curadas pelas autoridades de saúde.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.