“É uma decisão prematura”: Discotecas abrem hoje com sensação de “patinho feio” e acusam Governo de oportunismo

Conforme estipulado pela resolução de Conselho de Ministros aprovada no passado dia 23 de setembro, as discotecas abrem hoje as portas. Dois anos depois do encerramento, o setor acusa o Governo de “discriminação” e por ter aprovado esta medida, apenas “porque os jovens estão a encher as ruas. 

Fábio Carvalho da Silva

Conforme estipulado pela resolução de Conselho de Ministros aprovada no passado dia 23 de setembro, as discotecas abrem hoje as portas. Dois anos depois do encerramento, o setor acusa o Governo de “discriminação” e por ter aprovado esta medida, apenas “porque os jovens estão a encher as ruas.

Contactado pela Executive Digest, Alberto Cabral, Vice-Presidente da Associação Nacional de Discotecas (AND) lembra que “mais de 70% deste tipo de espaços não vai abrir hoje, porque o Governo foi muito prematuro.  Uma discoteca não se consegue abrir um espaço em duas semanas, fazer obras, programação e tratar do staff. É preciso um mês”.

Depois de já estar em reuniões desde o verão com o Executivo de António Costa, a associação só tem uma explicação para esta situação: “O Governo está preocupado. Houve um descontrolo total. Fernando Medina foi à televisão para dizer que as ruas se estão a encher de jovens vacinados e que se as discotecas abrissem este problema não acontecia. O Executivo percebeu que isto é um problema e decidiu abrir”, refere Alberto Cabral.

Questionado sobre como é que parte do setor conseguiu viver durante estes 18 meses, o líder associativo invocou a sua experiência pessoal: “através de reservas de capital, e em alguns casos de apoios de marcas e senhorios”. Alberto Cabral condena a forma como o Governo tentou ajudar o setor, para a AND o programa “Apoiar” foi parco em medidas e injusto.

“Precisamos de mais apoio, vai cair o lay-off, as moratórias sobre créditos e rendas já caíram”. Para Alberto Cabral, os tetos deste apoio prejudicaram os grandes players da noite: “Somos o patinho feio. O Governo olha para nós como discotecas e não como empresas. O “Apoiar” tinha um teto de 7.000 euros para rendas e outro para apoio aos trabalhadores. Grandes casas ficaram prejudicada, acabaram por receber o mesmo que os pequenos”.

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A Associação pede aqui uma “majoração do apoio”. Interrogado se teme que a noite se torne insegura, devido ao facto de as pessoas estarem “presas há demasiado tempo em casa”, o líder associativo diz que o “setor não tem medo, mas atenção, já que as pessoas estão mais stressadas”.

A AND está ainda preocupada com a entrada em vigor da Lei do Tabaco, que, a seu ver vai prejudicar “os pequenos clubes, sem espaços ao ar livre”. “Vai ser a morte para muitos espaços”, confessa.

No que toca à necessidade de apresentação de Certificado Digital da UE à entrada das discotecas, não sendo possível a apresentação de autotestes, o Vice-Presidente da Associação Nacional de Discotecas, Alberto Cabral, confessa que esta decisão do Governo é “uma discriminação”. Não se entende como é que na restauração este requisito já não é exigido, e em discotecas o é”, defende o líder associativo.

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A portaria do Governo define que, apesar de sere suspensa a necessidade de apresentação de certificado Digital Covid-19 e de teste negativo em restauração e em casamentos, em bares e discotecas, estas “retomam a sua atividade, embora o acesso a estes locais fique dependente de apresentação de Certificado Digital”.

Contactada pela Executive Digest, a Presidência do Conselho de Ministros esclarece que efetivamente é necessário este documento, e não só um simples teste, explicando que ” o Certificado pode ser obtido de três formas: recuperação de doença, vacinação completa ou realização de teste negativo”.

 

 

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