“É um automóvel, não um telemóvel”: botões físicos estão de regresso aos carros (e isso vai aumentar os preços…)

De acordo com o ‘El Confidencial’, o ponto de viragem surgiu após o anúncio do Euro NCAP, que a partir de 2026 passará a avaliar a presença de controlos físicos – como piscas, limpa-para-brisas ou luzes de emergência – na atribuição das cinco estrelas de segurança

Automonitor
Novembro 12, 2025
15:02

Depois de uma década dominada pelos ecrãs táteis, a indústria automóvel prepara-se para inverter a tendência — e essa decisão terá custos para os condutores. O regresso dos botões físicos e comandos manuais, anunciado por várias marcas europeias, deverá traduzir-se num aumento dos preços de fabrico e, em última instância, no encarecimento dos novos modelos para o consumidor final.

De acordo com o ‘El Confidencial’, o ponto de viragem surgiu após o anúncio do Euro NCAP, que a partir de 2026 passará a avaliar a presença de controlos físicos – como piscas, limpa-para-brisas ou luzes de emergência – na atribuição das cinco estrelas de segurança. A decisão levou marcas como Volkswagen, Mercedes, Hyundai, Kia e Porsche a recuar na digitalização excessiva e a reintegrar botões e manípulos nos seus próximos modelos.

O movimento simboliza o fim da filosofia introduzida pela Tesla e replicada em larga escala por outros fabricantes. O interior minimalista do Model S inspirou a substituição de comandos físicos por ecrãs de grandes dimensões, estratégia que permitiu reduzir custos de produção durante anos. Mas as queixas dos condutores — sobre ergonomia, distração e fiabilidade — forçaram uma mudança de rumo.

Como resume Andreas Mindt, diretor de design da Volkswagen, “é um automóvel, não um telemóvel”. A marca alemã vai reintroduzir botões físicos nos novos ID.2all (2026) e ID.Every1 (2027), enquanto a Hyundai e a Kia seguem o mesmo caminho com os modelos Ioniq 5, Kona e EV9. Também a Porsche acrescentará controlos para ventilação, temperatura e volume no próximo Cayenne, e a Mercedes abandonará os volantes táteis que introduzira nos seus veículos mais recentes.

O ‘El Confidencial’ sublinha que esta reversão tecnológica implica novos circuitos, sistemas de controlo e componentes físicos, o que aumentará os custos de fabrico. Essa despesa adicional deverá refletir-se nos preços de venda, prolongando a espiral inflacionista do setor automóvel iniciada no pós-pandemia.

A tendência, no entanto, não representa um abandono total dos ecrãs táteis. O que se antevê é um equilíbrio entre interfaces digitais e manuais, combinando modernidade e segurança. Ainda assim, à medida que os fabricantes adaptam as suas cadeias de produção para cumprir os novos critérios europeus, os consumidores podem esperar veículos mais caros a partir de 2026.

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