E se por uns momentos, deixássemos a política de lado…

Opinião de Ricardo Florêncio, CEO do Multipublicações Media Group

Executive Digest

As tempestades que assolaram várias regiões de Portugal em Janeiro/Fevereiro, deixaram um rasto de destruição material e impacto económico e social, muito significativo. Infraestruturas danificadas, elevados prejuízos para empresas locais, e não só – atendendo a toda a cadeia de valor –, e comunidades inteiras confrontadas com a necessidade urgente de reconstrução. Ao mesmo tempo, o mundo vive um período de instabilidade marcado por guerras, em diversos locais e em simultâneo, e que pressionam cada vez mais acentuadamente cadeias de abastecimento, mercados energéticos, matérias-primas, criando uma elevada instabilidade a nível global. Nos últimos tempos temos assistido a uma volatilidade tal nos mercados, que não transmite nenhuma confiança.

Perante tudo isto, interessa colocar um desafio: e se por alguns momentos deixássemos a política de lado e nos concentrássemos naquilo que realmente interessa? Nos focássemos onde deve incidir realmente a nossa atenção? A economia real não funciona ao ritmo do debate político. Empresas precisam de previsibilidade para investir, autarquias precisam de meios para reconstruir rapidamente e as populações esperam respostas concretas. Interessa definir um rumo e acelerar a execução. Prevenir, preparar, implementar. Este deveria ser o nosso foco.

É óbvio que a política é um pilar essencial da democracia. No entanto, há alturas em que o interesse colectivo exige menos confrontação e mais cooperação. Do ponto de vista económico, a eficiência das decisões e a rapidez da execução fazem a grande diferença entre uma recuperação sólida ou um prolongamento desnecessário das dificuldades. Penso que estamos perante um desses momentos. Em que o País, todos nós, muito ganharíamos com menos retórica e mais acção.

Editorial publicado na revista Executive Digest nº 240 de Março de 2026

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