E se os seus colegas decidissem o seu salário? Já há empresas a fazê-lo

Já pensou como seria se fossem os seus colegas a decidir qual o seu salário? É esta a realidade da 10 Pines, uma empresa de software sediada em Buenos Aires, Argentina, que defende um modelo de distribuição salarial “sociocrático”.

Na 10 Pines os salários são decididos três vezes por ano, numa reunião dedicada exclusivamente a este propósito, chamada de “reunião de honorários”. Os colaboradores da empresa podem candidatar-se a um aumento, que é debatido abertamente entre todos os colegas.

Paralelamente, todos os anos 50% dos lucros da empresa são divididos entre os funcionários.

Nesta empresa existe uma hierarquia horizontal e transparente, não há CEOs ou gerentes, sendo as figuras de mais alto nível reconhecidas como “associados” ou “mestres”.

“Como não há patrões que decidam os aumentos, delegamos o poder no povo”, afirma Jorge Silva, cofundador e “mestre” da 10 Pines, em declarações à ‘BBC’.

Com uma filosofia de transparência com todos os funcionários, a 10 Pines realiza as suas reuniões mensais onde são discutidas as principais decisões da empresa como potenciais clientes, despesas, finanças da empresa, bem como os salários. Nesta, todos têm a sua voz.

“Nós evoluímos o nosso processo ao longo de 12 anos”, explica Angeles Tella Arena, desenvolvedora de software na 10 Pines, à BBC. “Começámos as discussões salariais quando tínhamos 30 funcionários e temíamos que não funcionasse com 50, mas continuamos a adaptar-nos. É preciso atualizar os processos para que a confiança seja mantida”.

Jorge Silva sublinha que “o fundamental é entender que existe uma diferença entre igual e justo”.

“Não somos todos iguais, mas tentamos ser justos. Não queremos ser como a empresa clássica que tenta controlar os funcionários e que os trata como crianças”, acrescenta.

A inspiração inicial para este processo organizacional veio do país vizinho Brasil, mais especificamente no caso de Ricardo Semler e a sua experiência na Semco.

Fundada em 2010, a 10 Pines conta com uma equipa composta por 85 colaboradores e desenvolvem software para empresas como a Starbucks e Burger King.

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