E se as alterações climáticas gerassem o mesmo pânico que o COVID-19?

«Vimos que os governos conseguem agir e que as pessoas conseguem mudar os seus comportamentos, num período muito curto de tempo», afirma May Boeve, executive director da organização ambientalista 350.org.

Executive Digest

Circulam pela internet paródias e memes que tentam aligeirar o problema do novo coronavírus, que já foi classificado como pandemia pela Organização Mundial de Saúde. Um deles sugere que as alterações climáticas deveriam ter o mesmo consultor de imagem/comunicação que o COVID-19. Embora se trate de uma piada, a verdade é que alguns analistas já estão a avaliar o que aconteceria se a sociedade reagisse aos problemas ambientais da mesma forma que está a reagir ao surto.

«Vimos que os governos conseguem agir e que as pessoas conseguem mudar os seus comportamentos, num período muito curto de tempo», afirma May Boeve, executive director da organização ambientalista 350.org. Citada pela Fast Company, acrescenta que é isso que as associações têm pedido ao longo dos últimos anos para enfrentar outro tipo de ameaça: a crise climática. Porém, no que à saúde do planeta diz respeito, não parece haver o mesmo tipo de acção coordenada.

«Por um lado, mostra que é possível fazer isto e que é possível este tipo de mobilização de recursos em pouco tempo. Nesse sentido, é encorajador. Mas nunca tivemos dúvidas sobre esse aspecto», sublinha a responsável. May Boeve considera que o problema está na vontade política para avançar com uma mudança rápida.

A mesma publicação nota que existem algumas semelhanças entre as duas crises (clima e coronavírus): em ambos os casos, a comunidade científica tem alertado a população e indicado caminhos sobre o que é necessário fazer. Além disso, ambos envolvem a saúde pública, embora o COVID-19 o possa demonstrar mais rapidamente. Ainda assim, as alterações climáticas também já provocam mortes, seja através de ondas de calor ou de desastres naturais, por exemplo.

«As alterações climáticas também afectam os mais vulneráveis primeiro e pior», frisa ainda May Boeve. Tal como acontece com o novo coronavírus, as pessoas que vivem as áreas com menos recursos sofrerão mais com a crise climática.

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Se o mundo respondesse à crise climática da mesma forma que está a reagir ao COVID-19, o cenário poderia ser muito diferente, garante a mesma responsável. Uma das mudanças passaria por construir as infra-estruturas necessárias para que as energias renováveis sejam a principal fonte energética.

Relativamente às indústrias impactadas negativamente – tal como está a acontecer agora com a aviação e o turismo –, uma acção rápida e concertada face às alterações climáticas resultaria em dificuldades para as empresas petrolíferas, de carvão e gás.

May Boeve acredita que o que diferencia as duas crises é o poder arraigado e a vontade de manter o status quo. No entanto, também considera que «se está a tornar cada vez mais difícil justificar politicamente o recebimento de donativos por parte de companhias de combustíveis fósseis, por exemplo».

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