É oficial: Taxas de juro voltam a baixar. BCE solta aperto ao ver inflação a abrandar

O Banco Central Europeu (BCE) voltou a descer as taxas de juro pela segunda vez este ano, depois de em junho as ter baixado pela primeira vez em 8 anos.

André Manuel Mendes
Setembro 12, 2024
13:16

O Banco Central Europeu (BCE) voltou a descer as taxas de juro pela segunda vez este ano, depois de em junho as ter baixado pela primeira vez em 8 anos.

“O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu hoje reduzir a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito – a taxa através da qual define a orientação da política monetária – em 25 pontos base. Tendo em conta a avaliação atualizada realizada pelo Conselho do BCE quanto às perspetivas de inflação, à dinâmica da inflação subjacente e à força da transmissão da política monetária, é agora apropriado dar mais um passo no sentido de moderar o grau de restritividade da política monetária”, escreveu o organismo liderado por Christine Lagarde em comunicado.

O BCE anuncia assim que o diferencial entre a taxa de juro das operações principais de refinanciamento e a taxa de juro da facilidade permanente de depósito será fixado em 15 pontos base, tal como anunciado a 13 de março de 2024 após a revisão do quadro operacional. “O diferencial entre a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez e a taxa das operações principais de refinanciamento permanecerá inalterado em 25 pontos base. Em conformidade, a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito será reduzida para 3,50%. As taxas de juro das operações principais de refinanciamento e da facilidade permanente de cedência de liquidez serão reduzidas para 3,65% e 3,90%, respetivamente. As alterações terão efeitos a partir de 18 de setembro de 2024”, explicam.

Recorde-se que, em junho, assistimos à primeira descida das taxas de juro desde março de 2016, tanto para a taxa das operações principais de refinanciamento como para a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez, enquanto para a taxa de depósito, foi a primeira redução desde setembro de 2019. Já na reunião do mês seguinte, a instituição liderada por Christine Lagarde colocou o pé no travão e manteve as taxas inalteradas.

“Nesta descida dos juros, o BCE tem mantido uma atitude prudente, ao contrário do que aconteceu durante a subida, devido ao contexto económico internacional volátil, pretendendo confirmar a estabilização dos valores da inflação e a evolução dos principais indicadores económicos”, considera Nuno Rico, especialista da Deco ProTeste.

Os especialistas do BCE projetam ainda que a inflação global se situe, em média, em 2,5% em 2024, 2,2% em 2025 e 1,9% em 2026, em consonância com o avançado nas projeções de junho. A inflação deverá voltar a subir na parte final deste ano, parcialmente porque anteriores quedas acentuadas dos preços dos produtos energéticos deixarão de ser incluídas nas taxas homólogas. No segundo semestre do próximo ano, a inflação deverá então descer no sentido do nosso objetivo.

No que respeita à inflação subjacente, as projeções para 2024 e 2025 foram revistas ligeiramente em alta, em virtude de a inflação dos serviços ter sido mais elevada do que o esperado. Ao mesmo tempo, os especialistas continuam a esperar uma descida rápida da inflação subjacente, de 2,9% em 2024 para 2,3% em 2025 e 2,0% em 2026.

 

O que esperar até ao final do ano?

Henrique Tomé, analista da XTB, explica que estamos a entrar numa fase em que os Bancos Centrais estão a mudar as políticas monetárias e devemos esperar que as taxas de juro continuem a ser reduzidas, pelo menos mais 2 vezes este ano.

No entanto, alerta, “a dimensão dos cortes pode aumentar consoante os sinais que os indicadores económicos derem sobre as principais economias, pois poderão levar o BCE a estimular mais a economia. Por outro lado, se a inflação voltar a aumentar, o BCE deverá reajustar a sua política monetária, impedindo mais cortes na taxa de juro, algo que parece ser improvável acontecer no curto-prazo”.

“Mantendo-se o presente contexto, a expectativa da DECO PROteste vai no sentido de poder vir a ocorrer mais uma descida no final de 2024 ou no início do próximo ano”, acredita o especialista da Deco ProTeste.

Mais a longo prazo, a expectativa no mercado é de que o BCE promova uma redução agressiva nas taxas de juros nos próximos trimestres. Os economistas preveem que vá reduzir as taxas de juros em sete ocasiões até o início de 2026, com cortes de 25 pontos-base de cada vez.

De acordo com a última pesquisa realizada pela Bloomberg, o BCE deve manter a tendência de descida ao longo de um ano e meio, encerrando 2025 com uma redução total de 175 pontos-base em relação aos níveis atuais. Os analistas esperam que as taxas se estabilizem em 2,5% até o início de 2026.

Apesar de uma leve deterioração nas previsões de crescimento para a Zona Euro e uma probabilidade de 35% de recessão nos próximos 12 meses, os especialistas não ajustaram significativamente as suas estimativas para o PIB e o emprego. O crescimento do PIB da Zona Euro é agora projetado em 1,4% até o final de 2025, uma ligeira redução em relação à previsão anterior de 1,5%. A taxa de desemprego, por sua vez, deve manter-se em 6,4% até o final do próximo ano.

O BCE parece estar cada vez mais confiante em moderar a inflação e atingir a sua meta de médio prazo de 2%. A moderação nas expectativas de aumento de preços, juntamente com uma taxa de desemprego estável e um crescimento do PIB alinhado com as previsões, permitirá ao BCE acelerar a redução das taxas sem destabilizar a economia europeia.

 

(notícia em atualização)

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