O Banco Central Europeu (BCE) voltou a descer as taxas de juro pela segunda vez este ano, depois de em junho as ter baixado pela primeira vez em 8 anos.
“O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu hoje reduzir a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito – a taxa através da qual define a orientação da política monetária – em 25 pontos base. Tendo em conta a avaliação atualizada realizada pelo Conselho do BCE quanto às perspetivas de inflação, à dinâmica da inflação subjacente e à força da transmissão da política monetária, é agora apropriado dar mais um passo no sentido de moderar o grau de restritividade da política monetária”, escreveu o organismo liderado por Christine Lagarde em comunicado.
We cut our key interest rate by 0.25 percentage points.
We did this because inflation is gradually coming down and has been developing as we expected.
Read our monetary policy decisions https://t.co/Xk4mSWfMzH pic.twitter.com/IUNpRmPNNa
— European Central Bank (@ecb) September 12, 2024
O BCE anuncia assim que o diferencial entre a taxa de juro das operações principais de refinanciamento e a taxa de juro da facilidade permanente de depósito será fixado em 15 pontos base, tal como anunciado a 13 de março de 2024 após a revisão do quadro operacional. “O diferencial entre a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez e a taxa das operações principais de refinanciamento permanecerá inalterado em 25 pontos base. Em conformidade, a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito será reduzida para 3,50%. As taxas de juro das operações principais de refinanciamento e da facilidade permanente de cedência de liquidez serão reduzidas para 3,65% e 3,90%, respetivamente. As alterações terão efeitos a partir de 18 de setembro de 2024”, explicam.
Recorde-se que, em junho, assistimos à primeira descida das taxas de juro desde março de 2016, tanto para a taxa das operações principais de refinanciamento como para a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez, enquanto para a taxa de depósito, foi a primeira redução desde setembro de 2019. Já na reunião do mês seguinte, a instituição liderada por Christine Lagarde colocou o pé no travão e manteve as taxas inalteradas.
“Nesta descida dos juros, o BCE tem mantido uma atitude prudente, ao contrário do que aconteceu durante a subida, devido ao contexto económico internacional volátil, pretendendo confirmar a estabilização dos valores da inflação e a evolução dos principais indicadores económicos”, considera Nuno Rico, especialista da Deco ProTeste.
Os especialistas do BCE projetam ainda que a inflação global se situe, em média, em 2,5% em 2024, 2,2% em 2025 e 1,9% em 2026, em consonância com o avançado nas projeções de junho. A inflação deverá voltar a subir na parte final deste ano, parcialmente porque anteriores quedas acentuadas dos preços dos produtos energéticos deixarão de ser incluídas nas taxas homólogas. No segundo semestre do próximo ano, a inflação deverá então descer no sentido do nosso objetivo.
No que respeita à inflação subjacente, as projeções para 2024 e 2025 foram revistas ligeiramente em alta, em virtude de a inflação dos serviços ter sido mais elevada do que o esperado. Ao mesmo tempo, os especialistas continuam a esperar uma descida rápida da inflação subjacente, de 2,9% em 2024 para 2,3% em 2025 e 2,0% em 2026.
O que esperar até ao final do ano?
Henrique Tomé, analista da XTB, explica que estamos a entrar numa fase em que os Bancos Centrais estão a mudar as políticas monetárias e devemos esperar que as taxas de juro continuem a ser reduzidas, pelo menos mais 2 vezes este ano.
No entanto, alerta, “a dimensão dos cortes pode aumentar consoante os sinais que os indicadores económicos derem sobre as principais economias, pois poderão levar o BCE a estimular mais a economia. Por outro lado, se a inflação voltar a aumentar, o BCE deverá reajustar a sua política monetária, impedindo mais cortes na taxa de juro, algo que parece ser improvável acontecer no curto-prazo”.
“Mantendo-se o presente contexto, a expectativa da DECO PROteste vai no sentido de poder vir a ocorrer mais uma descida no final de 2024 ou no início do próximo ano”, acredita o especialista da Deco ProTeste.
Mais a longo prazo, a expectativa no mercado é de que o BCE promova uma redução agressiva nas taxas de juros nos próximos trimestres. Os economistas preveem que vá reduzir as taxas de juros em sete ocasiões até o início de 2026, com cortes de 25 pontos-base de cada vez.
De acordo com a última pesquisa realizada pela Bloomberg, o BCE deve manter a tendência de descida ao longo de um ano e meio, encerrando 2025 com uma redução total de 175 pontos-base em relação aos níveis atuais. Os analistas esperam que as taxas se estabilizem em 2,5% até o início de 2026.
Apesar de uma leve deterioração nas previsões de crescimento para a Zona Euro e uma probabilidade de 35% de recessão nos próximos 12 meses, os especialistas não ajustaram significativamente as suas estimativas para o PIB e o emprego. O crescimento do PIB da Zona Euro é agora projetado em 1,4% até o final de 2025, uma ligeira redução em relação à previsão anterior de 1,5%. A taxa de desemprego, por sua vez, deve manter-se em 6,4% até o final do próximo ano.
O BCE parece estar cada vez mais confiante em moderar a inflação e atingir a sua meta de médio prazo de 2%. A moderação nas expectativas de aumento de preços, juntamente com uma taxa de desemprego estável e um crescimento do PIB alinhado com as previsões, permitirá ao BCE acelerar a redução das taxas sem destabilizar a economia europeia.
(notícia em atualização)






