É necessário fechar maternidades e serviços de obstetrícia no país, garante grupo de trabalho

Comissão liderada por Diogo Ayres de Campos revelou que não há alternativa devido à falta de médicos e é preciso concentrar recursos

Francisco Laranjeira
Setembro 2, 2022
11:37

É necessário fechar maternidades e serviços de obstetrícia, segundo garantiu um grupo de trabalho criado para dar resposta à crise nos serviços de urgência blocos de partos, revelado pelo jornal ‘Público’. Diogo Ayres de Campos, presidente da comissão, já terá fechado o desenho da nova rede de referenciação de obstetrícia, ginecologia e neonatalogia, cuja versão final deverá ser conhecida no próximo dia 14.

O responsável revelou que não há alternativa a esta solução por falta de médicos e que será essa a recomendação ao Governo, embora ressalve que se trata de uma decisão política. “Já manifestei várias vezes a minha opinião de que como não temos obstetras e ginecologistas suficientes no SNS, e não conseguimos inventá-los, a única forma de resolver o problema é concentrar recursos”, frisou. “Terá de haver alguma concentração de recursos senão não conseguimos resolver os problemas”, sublinhou, defendendo que na obstetrícia e na ginecologia “é muito difícil fazer uma urgência metropolitana”.

“A urgência não é só o atendimento para o exterior mas também o internamento e o trabalho de parto e assistência ao parto. Se vamos encerrar um dia por semana, uma maternidade, vamos sobrecarregar as outras. E, por isso, ou asseguramos que há instalações suficientes nas outras [unidades] para que as utentes dessas maternidades tenham soluções ou vamos ter um problema acrescido. Precisamos de camas”, avisou, dando um exemplo: “Toda a gente percebe que na ginecologia oncológica, certo tipo de cancros em que há dois ou três casos por ano, têm de ser centralizados num hospital onde há experiência. Não pode toda a gente estar a fazer tratamentos de cancro, em que não têm experiência.”

A comissão vai propor a criação de hospitais de três níveis, que não vão poder existir em todas as localidades. “Nos sítios com menos população não há forçosamente necessidade de haver nível 1, 2 e 3, porque depende da distância. A primeira coisa que fizemos foi calcular as distâncias entre um hospital e outro, mas é possível referenciar certo tipo de situações, mais raras, que é preciso mais experiência para os de nível 3 que estão localizados nas grandes cidades. Não é forçoso cada região ter o seu hospital de nível 3”, explicou.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.